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Abstract:
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O piriproxifeno (PPF) é um larvicida utilizado em larga escala no controle epidemiológico do Aedes aegypti, vetor de arboviroses como dengue, chikungunya, zika e febre amarela. Apesar de ser considerado seguro em concentrações recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), evidências científicas recentes têm demonstrado sua toxicidade sobre tecidos em desenvolvimento, especialmente em sistemas de origem ectodérmica e mesodérmica, como o sistema nervoso e cardiovascular. No entanto, os efeitos do PPF sobre estruturas de origem endodérmica, como fígado e pulmão, ainda são pouco compreendidos. Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar alterações morfológicas e morfométricas provocadas pela exposição ao PPF durante o desenvolvimento embrionário, com foco nos tecidos hepático e pulmonar de Gallus domesticus, utilizado como modelo experimental. Para isso, ovos fecundados foram divididos em três grupos (controle, 0,01 mg/L de PPF e 10 mg/L de PPF), com exposição in ovo no primeiro dia embrionário (E1) e análises realizadas no décimo dia (E10). Na biometria corporal, apenas os embriões expostos a 10 mg/L de PPF apresentaram aumento significativo no comprimento do corpo em comparação ao grupo controle, enquanto a circunferência abdominal não foi significativamente alterada. No fígado, observou-se redução significativa no volume, perímetro, área e diâmetro dos hepatócitos nos grupos tratados, além de diminuição da densidade de células, sugerindo efeitos citotóxicos e antiproliferativos do PPF. No pulmão, os resultados indicaram aumento significativo nas dimensões (área, volume, diâmetro) das células epiteliais cúbicas e colunares nos grupos expostos, em especial no grupo de 0,01 mg/L, juntamente com o aumento na proliferação celular. Já no grupo de 10 mg/L, algumas dessas medidas apresentaram redução em relação ao grupo de menor concentração, sugerindo desorganização no processo de diferenciação epitelial. Em relação à estrutura brônquica, observou-se redução do diâmetro dos brônquios secundários em 10 mg/L, e aumento expressivo da quantidade de brônquios secundários em ambas as concentrações e terciários na concentração mais alta. Conclui-se que o piriproxifeno, mesmo em concentrações consideradas seguras, interfere negativamente na morfogênese de órgãos essenciais à sobrevivência pós-natal, indicando risco potencial de exposição durante o desenvolvimento embrionário e a necessidade de reavaliação de seu uso em contextos de saúde pública. |