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Abstract:
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A sepse é definida como uma disfunção orgânica decorrente de uma resposta
desregulada do hospedeiro a uma infecção. O tecido adiposo perivascular (PVAT)
libera mediadores e expressa receptores de glicocorticoide (GR) e de
mineralocorticoide (MR), envolvidos em sua atividade. Embora a sepse altere a
função do PVAT, a participação dos GR e MR nesse processo ainda não foi
esclarecida. Assim, hipotetizamos que a modulação desses receptores no PVAT
impacta a função vascular durante a sepse. Com o objetivo de avaliar como a
sepse modifica a ação contrátil do PVAT sobre a função vascular, e se a
dexametasona e a espironolactona modulam essas alterações. O estudo foi
conduzido utilizando ratos Wistar machos e fêmeas (90-120 dias). A sepse foi
induzida por ligadura e perfuração do ceco (CLP). Ratos naïve foram usados
como controle (CT). O escore de severidade e a glicemia foram avaliadas em
ambos os grupos 24h após a cirurgia. Após eutanásia, a aorta foi coletada, o
PVAT dissecado do vaso e mantido em solução nutritiva (PSS) a 4°C. Aorta de
animais CT (macho e fêmea) foram seccionadas em anéis (3-4 mm) com (E+) e
sem (E-) endotélio, e montados em banho de órgãos isolado. Paralelamente,
seções de PVAT (~5 mm) de CT e CLP 24h foram incubadas em 1,5 mL de PSS a
37ºC, gerando a PSSt(+)PVAT. Em alguns protocolos, a PSSt(+)PVAT foi
incubada com dexametasona (100 µM), espironolactona (100 µM), fenelzina (10
µM) ou tiramina (10 µM). Após 30 min de incubação, o PVAT foi descartado e a
PSSt(+)PVAT transferida para os banhos de órgãos. O tônus vascular foi
registrado por 30 min. Os resultados foram expressos como a x̅ ± EPM do efeito
máximo (Emax, em g), e avaliados por ANOVA de duas vias seguida por Sïdak (n
= 5-8/grupo). O estudo teve a aprovação do CEUA/UFSC (3062200722). O
escore mostrou-se e a glicemia reduzida nos grupos CLP. Em artérias E+ e E- de
fêmeas, o efeito vasoconstritor mediado pelo PVAT foi semelhante entre os
grupos CT e CLP 24h. No entanto, em machos, a resposta da PSSt(+)PVAT
oriunda do grupo CLP 24h foi maior que a do CT, tanto em preparações E+ (CT:
0,15±0,03g e CLP 24h: 0,74±0,05g) quanto em E- (CT: 1,12±0,07g e CLP 24h:
1,58±0,03g). A incubação do PVAT com dexametasona ou espironolactona não
modificou a contração gerada pela PSSt(+)PVAT. No entanto, a tiramina
potencializou a resposta em ambos os grupos. De forma semelhante, a fenelzina
também aumentou a resposta, porém esse efeito foi mais intenso no grupo CLP
24h, apenas em artéria E+. Este é o primeiro estudo a demonstrar que, durante a
sepse, o PVAT da aorta de ratos machos, mas não de fêmeas, aumenta sua
capacidade contrátil. Esse efeito não se mostrou sensível ao bloqueio dos
receptores GR e MR, mas foi potencializado pelo depletor (tiramina) e pelo
inibidor de enzimas (fenelzina) que metabolizam catecolaminas. Embora os
resultados não confirmem nossa hipótese inicial, eles revelam diferenças
relacionadas ao sexo quanto à liberação de mediadores pelo PVAT durante a
sepse. |