| Title: | Efeitos agudos da respiração lenta na percepção de estresse e reatividades autonômica, hemodinâmica e de cortisol a um estímulo estressor |
| Author: | Filipini, Richard Emanuel |
| Abstract: |
Técnicas de respiração parecem modular a atividade encefálica, alterando a modulação autonômica e induzindo estados de relaxamento. Não se sabe, contudo, quais são os efeitos da aplicação de uma única sessão de respiração lenta na resposta a uma situação estressora. O objetivo do nosso estudo foi avaliar os efeitos agudos da respiração lenta na percepção de estresse e reatividades autonômica, hemodinâmica e de cortisol a um estímulo estressor. Hipotetizamos que uma sessão de respiração lenta reduziria a percepção ao estresse e alteraria o padrão de reatividade fisiológica. Conduzimos um ensaio clínico cruzado randomizado, cego para a coleta do desfecho primário. Foram comparadas duas condições: a sessão de respiração lenta (sRL) - onde os participantes foram orientados a respirar em 5,5 respirações/minuto; e a sessão controle (sC) - onde os participantes ficaram em repouso por tempo equivalente. Na primeira visita, após o consentimento, foi realizada a caracterização da amostra e a familiarização com as técnicas respiratórias. Na segunda visita foi realizada a alocação dos participantes à sequência de condições (sC-sRL ou sRL-sC). Após um período de repouso de 10 minutos, realizamos um registro basal de 5 minutos, seguido por 20 minutos da condição alocada. Aplicamos, então, o paradigma estressor: o teste de estresse agudo de Maastricht (MAST), composto por estressores físicos e psicológicos com duração de 15 minutos. O teste foi seguido por 40 minutos de recuperação. Durante toda a visita registramos a atividade elétrica do coração por meio do eletrocardiograma, a partir do qual derivamos dados autonômicos ? variabilidade da frequência cardíaca (VFC) - e hemodinâmicos - frequência cardíaca (FC). Também registramos a pressão arterial (PA) ao longo da visita. Coletamos saliva para dosagem de cortisol antes do MAST e no minuto 20 e 40 de recuperação. A percepção de estresse foi avaliada por meio da escala de avaliação numérica (EAN) ? o desfecho primário ? imediatamente após o MAST. A terceira visita foi realizada após três a quatro semanas, alterando somente a condição. Foram randomizados 33 participantes, com uma perda de quatro participantes, resultando em um n de 29 participantes [idade(anos) = 25,2±4,7; sexo(masculino) = 69,0%]. O ritmo respiratório sugerido para a sRL foi confirmado pelo registro da expansão torácica [respirações/minuto = 5,73±0,39], bem como os efeitos agudos da sRL na VFC. A análise da percepção de estresse pela EAN não indicou efeitos da sRL [?sRL sC = -0,55; IC95% = -1,11 a 0,01; p = 0,06]. A ANOVA apontou um efeito do tempo na PA e na FC um efeito do tempo na ANOVA, confirmando o aumento dessas variáveis durante o MAST. Na FC, mas não na PA, foi observado um efeito da intervenção. Na VFC foram observados somente efeitos do tempo nos índices SDNN (Standard Deviation of the NN intervals), RMSSD (Root Mean Square of Successive Differences), LF (Low Frequency) e HF (High Frequency), sugerindo em conjunto uma redução da modulação vagal para o coração durante a antecipação e um aumento durante a recuperação ao MAST. A ANOVA não apontou qualquer efeito nas medidas de cortisol. De forma geral, nossos achados parecem indicar que a respiração lenta não altera, de forma aguda, a percepção de estresse e as respostas autonômica, hemodinâmica e de cortisol frente a um estímulo estressor. Abstract: Breathing techniques techniques seem to modulate the cerebral activity, changing the autonomic modulation and inducing relaxation. Still, there is limited evidence on the effects of performing a single slow breathing session on the response to a stressful stimulus. Our study aimed to evaluate the acute effects of slow breathing on stress perception, and on the autonomic, hemodynamic and cortisol reactivity to a stressor. Our hypothesis was that slow breathing could reduce stress perception and change the physiological reactivity to stress. We carried out a randomized crossover clinical trial, blinded for the primary outcome assessment. We compared two different conditions: a slow breathing session (SBs) - in which participants were oriented to breath at 5,5 breaths/minute ? and a control session (Cs) ? in which participants waited for an equivalent period of time. In the first visit, after the consent, we collected baseline variables and conducted an introduction to the breathing techniques. In the second visit the participants were allocated to the condition sequence (Cs-SBs or SBs-Cs). After a 10-minute rest period, we conducted a 5-minute baseline recording, followed by 20 minutes of the allocated condition. We then conducted the stress test: the Maastricht Acute Stress Test (MAST), a test that combines physical and psychological stimuli for 15 minutes. The test was followed by 40 minutes of recovery. During the whole visit we assessed the electric heart activity, which we used to evaluate autonomic ? heart rate variability (HRV) - and hemodynamic data ? heart rate (HR). We also registered blood pressure (BP). To assess cortisol, we collected saliva before the MAST, and 20 and 40 minutes after the MAST, in the recovery period. Finally, we evaluated the stress perception through a numeric rating scale (NRS) ? the primary outcome ? immediately after MAST. The third visit was conducted three to four weeks later, changing only the condition. We randomized 33 participants, with a sample loss of four participants, resulting in a sample of 29 [age(years) = 25,2±4,7; sex(male) = 69,0%]. We confirmed the adherence to the oriented breathing rate by assessing the thoracic expansion [breaths/minute = 5,73±0,39]. We also confirmed the effects of slow breathing in heart rate variability (HRV). No SBs effects were identified in the stress perception evaluated through the NRS [?SBs-Cs = -0,55; IC95% = -1,11 a 0,01; p = 0,06]. We found a time effect in the ANOVA for the BP and HR, confirming the BP and HR increase during the MAST. For HR, but not for BP, we found intervention effect, but not an interaction effect. Only time effects were observed in the ANOVA for the HRV indexes: SDNN (Standard Deviation of the NN intervals), RMSSD (Root Mean Square of Successive Differences), LF (Low Frequency) and HF (High Frequency), suggesting a reduction in vagal modulation to the heart during the anticipation period, and an increase during the MAST recovery. No effect was found in the cortisol ANOVA. Overall, our findings suggest that a single session of slow breathing does not change stress perception, and autonomic, hemodynamic and cortisol reactivity during a stress stimulus. |
| Description: | Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação em Neurociências, Florianópolis, 2025. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/267810 |
| Date: | 2025 |
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| PGNC0397-D.pdf | 1.178Mb |
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