Impacto da gestação multípara sobre desfechos comportamentais na prole macho e fêmea do modelo autista induzido por ativação imunomaterna
Author:
Nery, Victoria Malinski
Abstract:
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) abrange uma variedade de distúrbios neurocomportamentais que se caracterizam por déficits na comunicação, interação social e padrões comportamentais repetitivos e restritos. No entanto, os mecanismos patológicos subjacentes e a etiologia do transtorno ainda não são totalmente compreendidos. Evidências científicas sugerem que tanto fatores genéticos quanto ambientais desempenham papéis importantes no desenvolvimento do TEA, evidenciados pela alta herdabilidade, bem como pela influência de fatores ambientais durante a gestação. Exposições a estímulos inflamatórios durante a gestação, como infecções virais, bacterianas ou respostas autoimunes, podem desencadear alterações neuronais que contribuem para os sintomas do TEA. Entre os modelos pré-clínicos, a ativação imuno materna (AIM) induzida por lipopolissacarídeo (LPS) tem sido amplamente estudada para investigar as alterações comportamentais na prole. No entanto, há uma carência na compreensão da interação entre fatores ambientais e predisposição genética em indivíduos com TEA. Neste estudo, propomos investigar se uma segunda gestação pode representar um fator de risco adicional para a intensidade e gravidade dos sintomas do tipo-autista na prole. Para tal, camundongas Swiss adultas foram submetidas a um protocolo de duas gestações, recebendo uma dose de LPS (500 μg/kg) da cepa E. coli serotipo 026:B6 em uma das gestações (gestação 1 ou gestação 2), enquanto na outra gestação receberam salina como controle. Um grupo controle recebeu salina em ambas as gestações. As proles resultantes foram submetidas a testes comportamentais durante a infância (PND 13) e adolescência (PND 26). Após o desmame da primeira gestação, as progenitoras (F0) passaram por um novo ciclo de gestação. A exposição ao LPS resultou em alterações comportamentais na prole macho e fêmea, sem efeitos da multiparidade. Assim, concluímos que o modelo de ativação imunomaterna foi validado através de alterações nos comportamentos de orientação espacial e resposta ao ambiente familiar, e comportamento exploratório e repetitivo, mas sem o risco adicional de uma segunda gestação sobre a intensidade e gravidade dos sintomas do tipo-autista na prole. No entanto, nossos dados não descartam a importância de explorar desenhos experimentais em modelos pré-clínicos de autismo que considerem a ação conjunta de fatores de risco, não se limitando a apenas fatores genético ou ambientais.
Description:
Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica.
Universidade Federal de Santa Catarina.
Centro de Ciências Biológicas. Departamento de Ciências Fisiológicas.