Pesquisa de antígeno urinário para o diagnóstico de histoplasmose: uma revisão da literatura

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Pesquisa de antígeno urinário para o diagnóstico de histoplasmose: uma revisão da literatura

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Title: Pesquisa de antígeno urinário para o diagnóstico de histoplasmose: uma revisão da literatura
Author: Bellettini, Mariana de Alcantara
Abstract: As infecções fúngicas sistêmicas configuram um importante problema de saúde pública, embora frequentemente sejam negligenciadas em comparação a outras doenças infecciosas. A histoplasmose, micose sistêmica causada pelo fungo dimórfico Histoplasma capsulatum, apresenta elevada prevalência nas Américas, com destaque para o Brasil. A principal via de transmissão ocorre por meio da inalação de propágulos fúngicos presentes em ambientes contaminados com excrementos de aves ou morcegos. Embora a maioria dos casos seja assintomática, indivíduos imunocomprometidos podem desenvolver formas graves e disseminadas da doença. O diagnóstico precoce da doença apresenta inúmeros desafios, como a baixa sensibilidade dos métodos tradicionais (exame micológico direto, histopatologia e isolamento do fungo em meio de cultivo), o crescimento lento do fungo e a necessidade de profissionais especializados. Diante dessas limitações, novos métodos diagnósticos vêm sendo desenvolvidos, destacando-se a pesquisa de antígeno urinário como uma alternativa promissora. Dessa forma, o presente trabalho teve como objetivo revisar a literatura científica sobre o uso da pesquisa de antígeno urinário de H. capsulatum como ferramenta diagnóstica laboratorial da histoplasmose. A metodologia consistiu em uma revisão da literatura guiada pelo acrônimo PIRO, com buscas realizadas nas bases de dados PubMed®, Web of Science®, Scopus™ e Google Acadêmico, abrangendo estudos originais publicados até dezembro de 2024 em inglês, português e espanhol. Foram identificados 817 estudos e, após triagem na plataforma Rayyan QCRI®, 16 artigos foram incluídos na análise. As informações extraídas abrangeram tipo de teste, sensibilidade, especificidade, contexto clínico dos pacientes e critérios diagnósticos utilizados. Os resultados demonstraram que os principais métodos empregados para a detecção do antígeno urinário foram os ensaios imunoenzimáticos tipo ELISA, os testes de imunocromatografia de fluxo lateral e a técnica de dot-blot. As medianas de sensibilidade e especificidade observadas foram de 89% (variação de 22% a 100%) e 95% (variação de 72% a 100%), respectivamente. O imunoensaio MiraVista® Histoplasma Quantitative Antigen Test apresentou o melhor desempenho entre os testes avaliados com medianas de 95,4% e especificidade de 97,5%. Já os testes rápidos se destacaram por sua simplicidade, rapidez e viabilidade em locais com infraestrutura laboratorial limitada. A pesquisa de antígeno urinário demonstrou maior acurácia nas formas disseminadas da histoplasmose, notadamente em indivíduos com HIV/AIDS, nos quais os métodos sorológicos convencionais são menos eficazes. Conclui-se que a pesquisa de antígeno urinário é uma ferramenta eficiente para o diagnóstico precoce da histoplasmose, com potencial para reduzir a mortalidade associada à infecção, especialmente em populações vulneráveis. Apesar das limitações relacionadas à disponibilidade e custo dos testes, sua implementação em áreas endêmicas, ampla disseminação entre profissionais da saúde e incorporação à rotina laboratorial podem contribuir significativamente para o aprimoramento dos desfechos clínicos e das estratégias de vigilância e controle desta micose.Systemic fungal infections represent a serious public health concern, although they are often neglected compared to other infectious diseases. Histoplasmosis, a systemic mycosis caused by the dimorphic fungus Histoplasma capsulatum, has a high prevalence in the Americas, particularly in Brazil. The primary route of transmission occurs through the inhalation of fungal propagules present in environments contaminated with bird or bat droppings. While most infections are asymptomatic, immunocompromised individuals may develop severe and disseminated forms of the disease. Early diagnosis faces numerous challenges, including the low sensitivity of traditional methods (direct mycological examination, histopathology, and fungal culture), the slow growth of the fungus, and the requirement for specialized professionals. Given these limitations, new diagnostic methods have been developed, with urinary antigen detection emerging as a promising alternative. This study aimed to review the literature on the use of urinary antigen detection of H. capsulatum as a laboratory diagnostic tool for histoplasmosis. The methodology consisted of a literature review guided by the PIRO acronym, with searches conducted in the PubMed®, Web of Science®, Scopus™ and Google Scholar™ databases, including original studies published up to December 2024 in English, Portuguese, and Spanish. The database search retrieved 817 studies, and the Rayyan QCRI® platform was used to select the 16 articles included in this review. Extracted data included type of test, sensitivity, specificity, clinical context of patients, and diagnostic criteria used. The findings indicated that the main methods evaluated for urinary antigen detection were ELISA-based immunoassays, lateral flow assays, and the dot-blot technique. Median sensitivity and specificity values were 89% (range: 22%–100%) and 95% (range: 72%–100%), respectively. The MiraVista® Histoplasma Quantitative Antigen Test demonstrated superior performance among the tests analyzed, with median sensitivity of 95.4% and specificity of 97.5%. Rapid tests were highlighted for their simplicity, speed, and applicability in resource-limited settings. Urinary antigen detection showed greater diagnostic accuracy in disseminated forms of histoplasmosis, particularly among individuals with HIV/AIDS, for whom conventional serological methods are less effective. In conclusion, urinary antigen testing is an effective tool for the early diagnosis of histoplasmosis, with the potential to reduce mortality associated with the infection, especially among vulnerable populations. Despite limitations related to test availability and cost, its implementation in endemic areas, wider dissemination among healthcare professionals, and incorporation into routine laboratory practice could contribute to improved clinical outcomes and strengthened mycosis surveillance and control strategies.
Description: TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Farmácia.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/265963
Date: 2025-07-02


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