| Title: | Perfil epidemiológico de mães com idade materna avançada e de seus filhos: análise comparativa dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 e 2019 |
| Author: | Possamai, João Augusto |
| Abstract: |
Introdução: Devido a transformações sociais e fatores relacionados à saúde, a prevalência de idade materna avançada (IMA) – definida como gestação ou parto a partir dos 35 anos – tem aumentado no Brasil e no mundo. A IMA está associada a maiores taxas de doenças crônicas, complicações obstétricas e desfechos adversos para os filhos. Entretanto, as evidências populacionais brasileiras sobre seus impactos ainda são limitadas. Objetivos: Analisar a evolução do perfil epidemiológico de mães com IMA e mães jovens (<35 anos), assim como os desfechos maternos e infantis associados, entre 2013 e 2019, usando dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) destes anos. Métodos: Foram realizadas análises transversais com mulheres que tiveram parto nos 6 anos anteriores a cada inquérito (n≈8.000) e seus filhos corresidentes de até 6 anos de idade (n≈9.000). Modelos de regressão logística ponderada por desenho amostral foram utilizados para estimar razões de chances (OR) e intervalos de confiança de 95% (IC95) para mães com IMA vs. mães jovens. Interações do tipo ano×IMA foram testadas, com nível de significância adotado de p<0,05. Resultados: A prevalência de IMA aumentou de 14,2% (2013) para 19,8% (2019). Mães com IMA apresentaram maior nível socioeconômico: em 2013, as razões de chances de possuir renda mensal ≥5 salários mínimos foram 2,87 (IC95: 1,76–4,69) e de ter pelo menos ensino superior completo foram 3,05 (IC95: 2,33–3,99) em comparação às mães jovens. Em 2019, essas razões foram de 5,95 (IC95: 3,94–8,98) e 1,40 (IC95: 1,08–1,82), respectivamente, com interações significativas entre ano e IMA para renda e escolaridade (ambas p<0,001). Mães com IMA também apresentaram maiores chances de relatar pelo menos uma comorbidade: OR = 1,87 (IC95: 1,51–2,32) em 2013 e OR = 1,50 (IC95: 1,28–1,77) em 2019. A IMA também foi associada a maiores chances de parto cesáreo e de nascimento com muito baixo peso. Não se observaram diferenças significativas entre mães jovens e com IMA quanto à prevalência de deficiência referida pelos responsáveis ou à cobertura vacinal dos filhos. Conclusões: Apesar dos riscos associados, o acesso aos cuidados de saúde e as vantagens socioeconômicas relacionadas à IMA parecem mitigar parte dos desfechos negativos associados à idade. Esses achados reforçam a importância de monitorar a transição demográfica da maternidade no Brasil. Ao utilizar dados de inquéritos nacionalmente representativos, este estudo oferece evidências sobre a evolução do perfil das mães com IMA no país, contribuindo para a literatura e subsidiando o planejamento de políticas públicas voltadas às necessidades da maternidade tardia e à saúde materno-infantil Background: As a result of shifts in societal and healthcare factors, the prevalence of Advanced Maternal Age (AMA), defined as childbearing at age ≥35, has been increasing globally, including in Brazil. AMA is consistently associated with higher rates of chronic co-morbidity, obstetric complications and adverse short- and long-term outcomes for offspring. However, Brazilian population-based evidence on the epidemiology and consequences of AMA remains limited and fragmented. Objective: This study addresses that gap by examining how the epidemiological profile of AMA and young (<35 years) mothers and its associated maternal and offspring health outcomes have evolved in Brazil between 2013 and 2019, using nationally representative data from the Brazilian National Health Survey (PNS). Methods: Cross-sectional analyses of women with a live birth in the previous six years (n≈8.000 per survey) and their co-resident children aged ≤6 years (n≈9.000 per survey). Survey-weighted logistic regression estimated odds ratios (OR) and 95% confidence intervals (CI) for AMA vs. young mothers in each year, with year×AMA interaction tests; significance was set at p<0.05. Results: In Brazil, the prevalence of AMA rose from 14.2% in 2013 to 19.8% in 2019. In both surveys, AMA mothers were more socioeconomically advantaged: in 2013, the odds of earning ≥5 × minimum wage were 2.87 (95% CI 1.76–4.69) and of holding at least a university degree were 3.05 (95% CI 2.33–3.99); in 2019 these ORs rose to 5.95 (95% CI 3.94–8.98) and 1.40 (95% CI 1.08–1.82), interaction p<0.001 for both income and university degree). AMA mothers also had higher odds of reporting any comorbidity: 2013 OR = 1.87 (95% CI 1.51–2.32) and 2019 OR = 1.50 (95% CI 1.28–1.77). Clinically, AMA was associated with greater odds of cesarean delivery and very low birth weight, but no significant difference in the prevalence of parent-reported offspring disability or in vaccination coverage. Conclusions: Despite the risks associated with AMA, access to healthcare and the socioeconomic advantages linked to AMA appear to mitigate some of the negative age-related outcomes. These findings highlight the importance of monitoring demographic and health transitions of motherhood in Brazil. Drawing on nationally representative survey data, this study provides evidence on the evolving profile of mother with AMA in the country, contributing to the international literature and supporting the development of public policies tailored to the needs of late motherhood and maternal and child health. |
| Description: | TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Medicina. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/265842 |
| Date: | 2025-06-09 |
| Files | Size | Format | View |
|---|---|---|---|
| Perfil_Epidemio ... us_filhos_2013_vs_2019.pdf | 982.8Kb |
View/ |