|
Abstract:
|
Introdução: As dermatoses são alterações patológicas da pele que podem se manifestar de maneira diferente dependendo do tom cutâneo, devido à influência da pigmentação. Apesar de a maioria das doenças de pele ocorrerem tanto em peles claras quanto escuras, há uma grande predominância de estudos focados apenas na pele branca, o que é inadequado considerando que 55,8% da população brasileira é negra. Além disso, condições como o câncer de pele, apesar de menos comuns em negros, têm diagnóstico tardio e aumento de mortalidade. Assim, é essencial que profissionais de saúde e estudantes de medicina se familiarizem com as particularidades da pele negra, buscando uma formação mais abrangente e inclusiva.
Objetivo: Identificar as diferenças na apresentação clínica das dermatoses entre pacientes de pele branca e pele negra atendidos no Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago
Métodos: Estudo observacional, transversal e descritivo, com amostra de 80 pacientes adultos com diagnóstico clínico de dermatoses, divididos por fototipos de pele segundo a escala de Fitzpatrick. Foram analisadas variáveis como eritema, palidez, lesões melanocíticas, entre outras, utilizando tabelas dinâmicas e gráficos no Microsoft Excel®.
Resultados: A amostra analisada contou com 80 pacientes de diferentes fototipos, predominando os fototipos II e III. As dermatoses mais frequentes foram psoríase, dermatite atópica, acne e esclerodermia cutânea. A psoríase foi mais prevalente nos fototipos II e III, com eritema intenso na pele clara e alterações pigmentares nas peles mais escuras. Na dermatite atópica, os fototipos II apresentaram lesões localizadas, enquanto os fototipos III e IV mostraram lesões mais generalizadas e liquenificação. A acne foi mais evidente no fototipo III, com inflamações mais intensas do que no fototipo II. A esclerodermia cutânea apresentou padrões de lesões variando conforme o fototipo, com placas hipercrômicas e atróficas mais frequentes em peles mais pigmentadas.
Conclusão: O estudo evidenciou diferenças na apresentação de dermatoses entre pele negra e branca, com maior hiperpigmentação e padrões atípicos em negros e maior eritema e descamação em brancos. Esses achados reforçam a importância de considerar o fototipo cutâneo na prática clínica e na formação médica. A limitação do número reduzido de pacientes negros ressalta a necessidade de estudos futuros com amostras mais representativas. |