Abstract:
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Esta tese constitui-se em um estudo histórico documental, que toma como base os
princípios da história cultural. Tem como objetivo, analisar os processos que ocorreram
na institucionalização de uma Geometria ofertada para formar o professor do curso
primário, da Escola Normal maceioense, e a Geometria indicada nos programas para o
ensino primário em Alagoas entre as décadas de 1860-1930, para responder à seguinte
problematização: Quais processos envolveram a elaboração da Geometria como um
saber profissional na formação de normalistas que configurasse uma Geometria para
ensinar? Esta discussão se ancorou a partir do esquema apresentado pôr Hofstetter e
Schneuwly (2009) sobre os saberes de formação de professores em diferentes níveis.
Esses autores observam que os saberes são um tema central nas questões relativas à
formação, os quais oscilam entre saberes a ensinar e para ensinar. A Geometria para
formar o professor primário não passa ilesa dessa oscilação, transforma-se e evolui.
Recorreu-se ainda como referência às fontes primárias como: Atas, Decretos, Relatórios
de Presidentes da Província, Resoluções, Leis, Compêndio, além de jornais da época, e
em autores como: Vilela (1982), Primitivo Moacyr (1835-1889), Costa (1931), Verçosa
(2001), Duarte (1961), Chervel (1990), Valente (2010-2017), entre outros. A análise e
interpretação da documentação buscou estabelecer relações entre os princípios teóricos
e metodológicos da formação dos normalistas maceioenses, e indicaram uma variação
entre uma formação de cultura geral versus formação profissional. Nesta variação, há
uma Geometria inicialmente ofertada na disciplina Desenho Geométrico, entretanto com
tímida expressão. Ao que tudo indica, sedimenta-se um discurso que sistematiza
contribuições vindas de referências já de há muito presentes no horizonte pedagógico,
mas que somente nas décadas finais do século XIX ganham os sistemas de ensino. Os
saberes profissionais continuam a ser a referência para a formação do professor
primário, entretanto, renova-se a oferta de uma Geometria que não estava relacionada
com uma metodologia para o ensino dessa. Cumpria aprender especificamente a
Geometria que se iria ensinar, assim como a Geometria para ensinar, indicada nas
orientações oficiais referente à Prática de Ensino. O saber para ensinar Geometria,
objeto dessa investigação, constitui-se a partir desse tempo como a ciência de formas
intuitivas para a docência dos primeiros passos da Geometria. Tal saber para ensinar
penetra na cultura escolar e deixa-nos marcas presentes até hoje nas escolas. |