Abstract:
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O presente trabalho buscou comparar as variações morfossedimentares ocorridas na praia da Galheta, ilha de Santa Catarina entre os meses junho de 2016 e maio de 2017, a fim de obter informações que auxiliem nas observações sobre a dinâmica praial local e processos de erosão e deposição sedimentar, analisando variações de volume e largura de praia e suas consequências no aspecto dos perfis praiais. A praia da Galheta está localizada na costa Nordeste da ilha de Santa Catarina, na coordenada UTM central 22J 754137 m E de latitude sul e 6945281 m S de longitude oeste, apresentando cerca de 900m de extensão. É limitada ao sul pelo costão da ponta do Meio, onde faz fronteira com a praia Mole, e ao norte pela ponta do Caçador. O local é de grande importância para estudos sobre a dinâmica praial por se tratar de uma praia natural, sem influência antrópica. A metodologia consistiu no monitoramento praial durante 12 meses dos aspectos morfológicos, granulométricos e hidrodinâmicos de três perfis transversais à costa. Os resultados indicam que há uma significante variação de volume sedimentar no perfil 3 (setor Norte) durante o inverno, aparentemente relacionado à sua localização mais exposta às ondulações de sul, eventos energéticos intensos e recorrentes durante esta estação, que causam erosão no local. Por outro lado, durante a primavera e o verão, nesse mesmo perfil, há um ganho significativo de sedimento, provavelmente proporcionado pela difração das ondas de leste pelo costão da Ponta do Caçador durante essa época, o que diminui a energia de ondas no local e permite o maior aporte de sedimentos além das correntes longitudinais locais. A ocorrência de sangradouros durante o verão também são uma potencial fonte de sedimentos para o local. Os perfis 1 (setor Sul) e 2 (setor Central) apresentaram um comportamento similar durante o inverno, com pouca variação volumétrica, porém foi observada uma queda no volume desses dois perfis no início do verão, indicando relação com os eventos de primavera, onde as ondulações são predominantemente de leste, o que torna esses perfis expostos pelo seu posicionamento geográfico. As variações volumétricas entre os perfis mostram uma aparente rotação praial de caráter sazonal, possivelmente relacionada às variações das incidências de onda nas diferentes estações e a consequente remobilização de sedimentos. A praia da Galheta apresentou grande capacidade de auto regulação no período analisado apesar da grande variação volumétrica, sendo assim, o total de sedimento erodido próximo ao sedimento depositado, apresentando ao fim do estudo um balanço positivo de 27,99m³/m. Os sedimentos mostraram homogeneidade granulométrica nas análises longitudinais e transversais, sendo compostos majoritariamente por areias finas. A praia da Galheta foi classificada como intermediária de bancos e praias rítmicos, e os principais fatores correspondentes às variações morfológicas foram associados aos padrões de ondulações sazonais e o grau de exposição da praia a estes. |