Abstract:
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O objetivo da tese é investigar as condições lingüísticas e discursivas nas quais se apresenta o limite entre o verdadeiro e o falso na obra de Michel Foucault. Procurou-se estabelecer quais são as relações que a escrita de Foucault manteve em diferentes momentos com a retórica, desde sempre o limite discursivo da filosofia do esprit sérieux. Nossa hipótese inicial de que em cada momento da obra de Foucault (arqueológico, genealógico e ético), um pilar da retórica clássica era preponderante enquanto foco da crítica (logos, pathos e ethos) foi reformulada com a constatação de que a escrita de Foucault faz uso de cada uma dessas noções reinventando-as, o que justifica uma aproximação de seu estilo mais de uma retórica sofística do que aristotélica. O primeiro capítulo busca contextualizar os principais temas e problemas da retórica em seus diferentes avatares históricos. O segundo capítulo trata de temas retóricos pertinentes para a arqueologia, tais como a noção de logos como esprit sérieux e como discurso assemântico e agonístico. No terceiro capítulo investigamos a reavaliação da retórica sofística na formulação da genealogia, em que o pathos da linguagem indica a relação (o não-lugar) do poder e da invenção da performatividade sofística. No quarto capítulo analisamos um pretenso abandono do estilo no momento ético, em que o ethos e sua relação com a verdade indicam os novos limites da seriedade do discurso foucauldiano: a retórica é novamente condenada, uma vez que a verdade filosófica deve poder ser dita sem o recurso a quaisquer tékhnai. A conclusão aponta para o fato de que apesar de parecer que as condições da seriedade no final da obra são independentes da linguagem - os limites da seriedade são novamente determinados na separação entre filosofia e retórica, sendo a filosofia caracterizada por Foucault como o grau zero de retórica, cremos que o estilo de Foucault continua a não-significar apenas uma coisa: o efeito forte de sua leitura retoricamente abre para a diferença e para o não-ser, para o modo de pensar próprio da retórica: o do possível. |