Abstract:
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Busquei compreender de que forma textos de Erico Verissimo (década de 1930) dialogaram com temas correntes das medicinas higienista e eugenista, das quais tradicionalmente se enfatizam aspectos autoritários e vinculação ao Estado Novo. O autor utilizou premissas médicas para apontar soluções a desequilíbrios sociais em seus textos, assim como uma profusão de imagens de decomposição, degeneração, decadência física e do meio. Em seus livros, o oposto da doença (física e social), mais que a saúde, parece ser a medicina. Uma aparente contradição se apresenta, pois o autor sempre se destacou pela crítica à arbitrariedade e ao autoritarismo. Nesse sentido, abordei o debate sobre adesões de artistas e intelectuais a projetos governamentais na era Vargas, entendendo que suas motivações foram variadas. Da mesma forma, tratei do destaque dado a saúde - desde as campanhas higienistas -, educação e literatura na construção da identidade nacional, convergindo na preocupação com o futuro das novas gerações. Premissas filosóficas e científicas do século 19 e a literatura naturalista de Émile Zola também foram analisadas, pois abriram espaço definitivo para a compreensão do mundo e intervenção social, essenciais às elaborações científicas e artísticas das primeiras décadas do século 20. |