Abstract:
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Desde meados do século XVI a forma com que os homens lidam uns com os outros, na vida privada, na vida pública e quando estão sozinhos vem mudando. Estas mudanças nos costumes humanos seguiram a linha de um refinamento maior no trato pessoal, fato que serviu como diferenciador entre sociedades civilizadas e sociedades não-civilizadas, ou bárbaras. Levando-se em consideração que este processo civilizador ocorreu principalmente na Alemanha, França e Inglaterra, os costumes ocidentais tornaram-se, por excelência, os parâmetros para caracterizar as demais culturas como civilizadas ou não. Para que fosse possível a ocorrência desta civilização dos costumes, alguns autores concordam que as pulsões humanas precisaram sofrer um longo processo de repressão, fato que acabou por manter o homem em constante estado de insatisfação, que gerou a angústia e a infelicidade humanas, mas que, ao mesmo tempo, proporcionou-nos um estado de maior segurança. Disto resulta que, o progresso científico e tecnológico, obras primas do processo de civilização, estariam necessariamente relacionados a uma manutenção da repressão das pulsões humanas. A partir disto, nos surgem dúvidas se na sociedade ocidental atual esta relação entre repressão e a conseqüente falta de liberdade se mantém, pois atualmente assistimos à existência de uma sociedade onde a liberdade individual está exacerbada, onde as pessoas buscam e usufruem mais prazeres, mas onde também persiste a continuação de um estado de mal-estar. Dúvidas estas que o presente trabalho procura discutir. |