Abstract:
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O presente estudo aborda a Cédula de Produto Rural - CPR como alternativa de financiamento na cultura da soja na safra 2000/2001, microrregião de Cornélio Procópio, norte do Paraná, mecanismo de mercado que surgiu em função da queda da disponibilidade de recursos oficiais. Descreve os pontos a serem ponderados pelo produtor em emitir tal título, realiza comparação de custo financeiro deste mecanismo em relação à obtenção de recursos via crédito oficial, Cédula de Produto Rural Financeira e Sistema de Trocas, bem como faz uma análise deste instrumento como alternativa de comercialização, correlacionando os valores obtidos nas CPR estudadas e o preço praticado pelo mercado na época de entrega do produto. O embasamento teórico, além de apresentar a fundamentação necessária para este trabalho, objetiva caracterizar as diferentes alternativas de financiamento. A pesquisa bibliográfica e entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado sintetizam o procedimento metodológico utilizado. Os resultados obtidos mostram que quando considerado o custo de oportunidade do capital, juros, a alternativa mais vantajosa é o Custeio Oficial com juros de 8,75 % ao ano, seguido pela Cédula de Produto Rural Financeira - CPRF com custo entre 16,71 % e 20,61 % ao ano, Cédula de Produto Rural - CPR com juros entre 30,11 % e 42,38 % ao ano, e por fim o sistema de troca com juros embutidos entre 35,27 % e 52,65 % ao ano. Quando considerada a taxa de desconto, juros e taxa de aval, a melhor alternativa continuou sendo o Custeio Oficial, juros de 8,75 % ao ano, seguido pela CPRF com taxa de desconto entre 26,81 % e 31,73 % ao ano, Sistema de Troca com taxas entre 35,27 % e 52,65 % ao ano e a CPR com taxas entre 42,79 % e 53,31 % ao ano. As CPR emitidas em 30.08, 05.09, 04.12, 12.12 e 20.12.2000 além de alavancar recursos, apresentaram melhores preços que os praticados pelo mercado em seu vencimento, 30.04.2001, tendo, nas demais datas estudadas, preços inferiores aos praticados pelo mercado, evidenciando que a CPR pode ser utilizada como instrumento de comercialização, ponderado os fatores de tomada de decisão. A tomada de decisão pela emissão de uma CPR baseia-se na definição do objetivo a ser atingido, custo de produção da cultura e formação do preço do produto. Por fim conclui-se que os encargos financeiros embutidos pelos compradores na formação de preços têm constituído em elemento inibidor à formalização de CPR, ratificando o fato levantado por outros autores. |