Abstract:
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Narrativas de viagem são especialmente interessantes em tradução uma vez que seus autores já 'traduziram' a realidade do país que visitaram, tanto literalmente quanto figurativamente. O tradutor tem, então, a desafiadora tarefa de traduzir o traduzido. Quando acontece de o tradutor ser um nativo do país visitado, a tarefa torna-se ainda mais complexa, pois ele está retornando a seu contexto nacional uma perspectiva construída a partir de olhos estrangeiros. Este trabalho investiga uma dessas narrativas de viagem entitulada 'The world is burning - murder in the rain forest' (Alex Shoumatoff, 1990) e sua tradução 'O mundo em chamas - a devastação da Amazônia e a tragédia de Chico Mendes'. A metodologia adotada consiste em uma investigação descritiva do texto traduzido a fim de identificar os shifts (mudanças) em relação ao texto original, seguindo o modelo adotado por Kitty van Leuven-Zwart (1989,1990). As unidades de tradução são analisadas olhando-se os shifts que ocorrem em áreas como: escolha de itens lexicais individuais, transitividade, modalidade e estrutura temática (ordem de palavras). A análise move-se, então, para descrever como, através de 'shifts' na narrativa, a tradução brasileira reescreve a relação entre narrador / leitor e a imagem construída da Amazônia. |