Assédio moral no trabalho e percepções de trabalhadores assediados sobre os sentimentos de culpa e vergonha

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Assédio moral no trabalho e percepções de trabalhadores assediados sobre os sentimentos de culpa e vergonha

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Título: Assédio moral no trabalho e percepções de trabalhadores assediados sobre os sentimentos de culpa e vergonha
Autor: Garcia, Ivonete Steinbach
Resumo: O assédio moral no trabalho parece existir desde que foram estabelecidas as primeiras relações de trabalho, mas, na atual conjuntura de mercado, essas ocorrências parecem ter se intensificado pela competitividade. Esse fenômeno ocorre quando há condutas abusivas em relação a uma ou mais pessoas, decorrentes de situações de trabalho, e que consistem na exposição de trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas, durante a jornada laboral, podendo gerar conseqüências á saúde física ou psicológica, de maneira a denegrir a personalidade e dignidade do indivíduo. O objetivo desta pesquisa foi caracterizar as ocorrências de assédio moral e verificar as percepções de trabalhadores assediados sobre os sentimentos de culpa e vergonha, relacionados à ocorrências de assédio moral no trabalho. Inicialmente foi realizada uma análise documental para identificar trabalhadores assediados que registraram denúncias no ano de 2009, na SRTE/SC (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Santa Catarina). Utilizou-se como referencia as categorias propostas por Hirigoyen (2006), que classificam os comportamentos hostis em 4 subcategorias de análise: deterioração proposital das condições de trabalho; isolamento e recusa de comunicação; atentado contra a dignidade e violência verbal, física ou sexual. Por meio da análise documental de 43 processos de denúncia, constatou-se que 27 caracterizaram ocorrências de assédio moral no trabalho. Após essa etapa, por acessibilidade e saturação, foram entrevistados 9 assediados e em todos os casos se confirmou ocorrências de assédio, as quais apresentavam caráter processual e repetitivo. Na análise e interpretação dos dados, verificou-se que os comportamentos hostis mais denunciados foram: deterioração proposital das condições de trabalho e atentado contra a dignidade. Em relação à categoria freqüência, verificou-se que em todos os casos as situações de assédio eram diárias e, com relação a duração, houve um predomínio de seis meses a um ano. Ao tratar da categoria direção, ficou caracterizado assédio moral vertical descendente em todos os casos, sendo que desses, quatro também caracterizam a direção horizontal. Todos os dados documentais foram confirmados nas entrevistas e foram constatados dois casos de assédio sexual. Em se tratando dos sentimentos de culpa e vergonha, todos os participantes declararam ter sentido vergonha pela situação vivenciada e participantes declararam ter sentido culpa, relacionado ao assédio moral no trabalho. Identificou-se, ainda, o desconhecimento dos participantes sobre o fenômeno, uma vez que a maioria procurou a SRTE/SC para denunciar questões relativas a direitos trabalhistas e relacionamentos interpessoais, porém sem saber que estavam sendo vítimas de assédio moral no trabalho.Moral harassment at work seems to exist since the first working relations were established but, in the current market conjecture these occurrences seem to have increased due to competition. This phenomenon happens when there are abusive conducts towards one or more people, originated in working situations, and which consist of the exposition of workers to humiliating and embarrassing situations, repetitive and prolonged, during working hours, which may beget consequences to the physical or psychological health, in a way to denigrate the personality and dignity of the individual. The aim of this research was to characterize the occurrences of moral harassment and verify the perceptions of harassed workers about the feelings of guilt and shame related to occurrences of moral harassment at work. Firstly, a documental analysis was made to identify harassed workers which filed for it in 2009 at SRTE/SC (Regional Superintendent of Work and Employment of Santa Catarina). As a reference the categories proposed by Hirigoyen (2006) were used, which classify the hostile behaviors in subcategories of analysis: deliberated deterioration of working conditions; isolation and refusal of communication; attempt upon dignity and verbal, physical or sexual violence. Through the documental analysis of 43 lawsuits, it was possible to note that 27 characterized moral harassment at work. After this phase, by accessibility and saturation, 9 of the harassed were interviewed and in all cases the occurrences of harassment were confirmed which presented procedural and repetitive character. In the analysis and interpretation of the data, it was possible to verify that the most denounced hostile behaviors were deliberated deterioration of working conditions and attempt upon dignity. About frequency, it was verified that in all cases the harassment situations took place on a daily basis and the duration was predominanty ranging between six months and one year. About direction, descending vertical moral harassment was characterized in all cases, being four of them also horizontal. All documental data were confirmed in the interviews and two cases of sexual harassment were noted. About the feelings of shame and guilt, all subjects declared they felt ashamed by the situation and six declared feeling guilty the moral harassment at work. It was also identified the unawareness of the subjects about the phenomenon, since most of them sought for SRTE/SC to denounce matters related to working rights and interpersonal relations, however they were not aware they were being victims of moral harassment at work.
Descrição: Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Florianópolis, 2010
URI: http://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/93752
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