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Abstract:
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A adolescência é um período complexo de transição para a vida adulta, caracterizada
por mudanças biológicas, físicas, cognitivas e sociais. Nesse processo, os jovens
vivenciam transformações físicas e hormonais significativas que influenciam a
construção da identidade, a autonomia e as relações interpessoais. Tais mudanças
impactam diretamente nos indicadores de bem-estar psicossocial, uma vez que
envolvem dimensões emocionais, sociais e comportamentais fundamentais para o
desenvolvimento saudável. Nesse contexto, o ambiente escolar se torna um espaço
estratégico de promoção da saúde, sobretudo por meio das aulas de Educação Física
escolar, que podem favorecer a prática regular de atividade física, a interação social,
o sentimento de pertencimento e o desenvolvimento socioemocional. Com isso, o
presente trabalho de conclusão de curso tem como objetivo verificar a associação
entre os indicadores de bem-estar psicossocial e a participação nas aulas de
Educação Física em adolescentes de uma cidade do sul do Brasil. O estudo foi
caracterizado como transversal, quantitativo, de natureza aplicada, classificada como
pesquisa epidemiológica descritiva do tipo analítica. Foram considerados
elegíveis1.233 adolescentes com idade entre 14 e 24 anos, de ambos os sexos, do
ensino médio do município de São José, Santa Catarina. As variáveis coletadas foram
autorrelatadas por meio de questionários. A variável dependente, indicadores de bemestar psicossocial, foi avaliada por meio dos domínios “família e amigos”, “tipo de
comportamento” e “introspecção”, do questionário autoaplicável “Estilo de Vida
Fantástico”, uma ferramenta que avalia aspectos do estilo de vida e abrange
componentes físicos, psicológicos e sociais. A variável independente, número de
vezes que participa das aulas de Educação Física escolar, foi avaliada por meio de
uma questão brasileira do questionário “Youth Risk Behavior Survey, 2007”. Foi
realizada a análise de regressão logística binária bruta e ajustada por variáveis
demográficas (sexo e idade), socioeconômicas (nível econômico), do estilo de vida
(atividade física, comportamento sedentário e sono) e pela maturação sexual. Os
resultados indicaram que adolescentes do sexo masculino que participavam das aulas
de Educação Física escolar apresentaram menores chances de sentir-se tristes e
deprimidos, (OR:0,21; IC95%:0,11–0,38; p<0,001), tensos e desapontados, (OR:0,14;
IC95%:0,03–0,63; p=0,012), e com raiva e hostil, (OR:0,29; IC95%:0,18–0,46;
p<0,001), além de maiores chances de relatar pensamentos positivos e otimistas,
(OR:8,23; IC95%:2,09–32,4; p=0,004). Não foram identificadas associações
significativas entre a participação nas aulas de educação física e os indicadores de
bem-estar psicossocial para as adolescentes do sexo feminino. Conclui-se que a
participação nas aulas de Educação Física escolar está associada a melhores
indicadores de bem-estar psicossocial entre os adolescentes do sexo masculino,
refletidos em menor frequência de afetos negativos (tristeza, tensão, raiva) e maior
frequência de afetos positivos, (pensamentos positivos e otimistas) associações não
observadas entre as adolescentes do sexo feminino. |