| Title: | Análise da utilização dos serviços de telessaúde na atenção primária à saúde no Amapá |
| Author: | Pedrosa, Nádia Cristine Coelho Eugenio |
| Abstract: |
Introdução: as tecnologias de informação e comunicação têm ampliado as possibilidades de organização do cuidado em saúde, especialmente na Atenção Primária à Saúde, ao favorecerem a comunicação entre profissionais, o acesso a especialistas e a qualificação do processo de trabalho. No Sistema Único de Saúde, a telessaúde foi instituída como estratégia de apoio à Educação Permanente em Saúde e à tomada de decisão clínica, com potencial para ampliar o acesso e a resolubilidade da Atenção Primária à Saúde. No entanto, sua incorporação ocorre de forma desigual no território nacional, sendo condicionada por fatores estruturais, organizacionais e territoriais, com particularidades no contexto amazônico. Objetivo: analisar a utilização de telessaúde na Atenção Primária à Saúde no estado do Amapá. Método: trata-se de estudo exploratório e descritivo, com abordagem quanti-qualitativa, estruturado em três estudos complementares. Inicialmente, foi realizada uma revisão integrativa da literatura, conduzida segundo a metodologia do Joanna Briggs Institute, com busca em bases nacionais e internacionais, voltada à identificação de barreiras e facilitadores da telessaúde na APS. Em seguida, realizou-se estudo transversal, com abordagem quantitativa, nas Unidades Básicas de Saúde de Macapá e Santana, com comparação dos aspectos estruturais entre 2017?2018 e 2025, e análise do processo de trabalho em 2025. Por fim, desenvolveu-se pesquisa qualitativa, de abordagem construtivista-interpretativa, com coordenadores da APS de municípios do Amapá, por meio de entrevistas semiestruturadas avaliadas por análise de conteúdo. Resultados: a revisão integrativa evidenciou que a utilização da telessaúde na APS é condicionada por fatores estruturais e organizacionais, com destaque para limitações de conectividade, insuficiência de equipamentos, fragilidades na organização do processo de trabalho, baixa adesão de profissionais e ausência de monitoramento sistemático, ao passo que os facilitadores se relacionam à ampliação do acesso à atenção especializada, ao apoio à tomada de decisão clínica e ao fortalecimento da Educação Permanente em Saúde . No estudo quantitativo, observou-se aumento na disponibilidade de computadores com acesso à internet entre 2017?2018 e 2025, acompanhado de redução na conectividade contínua e na disponibilidade de equipamentos para comunicação síncrona, resultando em diminuição da proporção de unidades com estrutura mínima para telessaúde. Em 2025, embora 86,5% das unidades possuíssem computador com internet, a utilização da telessaúde foi referida por apenas 10,8% das unidades, com diferenças entre áreas urbanas e rurais e fragilidades na integração com a Educação Permanente e nos fluxos assistenciais. No estudo qualitativo, a telessaúde foi compreendida como estratégia de ampliação do acesso e continuidade do cuidado, com uso predominante de teleconsultas e teleducação, porém marcada por limitações estruturais, instabilidade de conexão, ausência de normatização e resistências profissionais e socioculturais. Ainda assim, foram identificadas iniciativas locais que evidenciam protagonismo das equipes para viabilizar o uso da telessaúde no território. Conclusão: a utilização da telessaúde na APS do Amapá permanece limitada e não se encontra integrada de forma consistente à rotina dos serviços. A disponibilidade de infraestrutura, embora necessária, não é suficiente para sua incorporação, que depende da organização do processo de trabalho, da qualificação das equipes, da existência de fluxos institucionais e das condições territoriais. No contexto amazônico, as desigualdades de conectividade, a dispersão geográfica e a centralização dos serviços especializados intensificam esses desafios. Os achados indicam a necessidade de fortalecer a conectividade, qualificar as equipes e integrar a telessaúde às ações de Educação Permanente em Saúde, com estratégias de gestão alinhadas às especificidades do território. Abstract: Introduction: information and communication technologies have expanded the ways healthcare can be organized, particularly in Primary Health Care (PHC), by supporting communication among professionals, improving access to specialists, and contributing to work processes. In the Brazilian Unified Health System (SUS), telehealth has been established as a strategy to support continuing professional education and clinical decision-making, with the potential to expand access and strengthen PHC. However, its incorporation remains uneven across the country, shaped by structural, organizational, and territorial conditions, with specific challenges in Amazonian settings. Objective: to analyze the use of telehealth in Primary Health Care in the state of Amapá, Brazil. Methods: this is an exploratory and descriptive study with a mixed-methods approach, structured into three complementary studies. First, an integrative literature review was conducted following the Joanna Briggs Institute methodology, with searches in national and international databases to identify barriers and facilitators to telehealth in PHC. Next, a cross-sectional quantitative study was carried out in Primary Health Care units in the municipalities of Macapá and Santana, comparing structural aspects between 2017?2018 and 2025, and examining work processes in 2025. Finally, a qualitative study with a constructivist-interpretive approach was conducted with PHC coordinators from municipalities in Amapá, based on semi-structured interviews analyzed through content analysis. Results: the integrative review indicated that telehealth use in PHC is shaped by structural and organizational factors, particularly limitations in connectivity, insufficient equipment, weaknesses in work process organization, low professional engagement, and lack of systematic monitoring. Facilitating factors were related to improved access to specialized care, support for clinical decision-making, and continuing professional education. In the quantitative study, there was an increase in the availability of computers with internet access between 2017?2018 and 2025, alongside a reduction in continuous connectivity and in equipment for synchronous communication, leading to a decrease in the proportion of units with minimum structure for telehealth. In 2025, although 86.5% of units had computers with internet access, telehealth use was reported by only 10.8% of units. Differences were observed between urban and rural areas, as well as limitations in integration with continuing education and care coordination. In the qualitative study, telehealth was described as a strategy to expand access and continuity of care, with predominant use of teleconsultations and tele-education. At the same time, its implementation was marked by structural constraints, unstable connectivity, lack of formal organization, and professional and sociocultural resistance. Local initiatives nevertheless showed the role of team engagement and adaptive strategies to enable telehealth use in the territory. Conclusion: telehealth use in PHC in Amapá remains limited and is not consistently integrated into routine practice. While infrastructure is necessary, it is not sufficient for its incorporation, which depends on work process organization, workforce qualification, institutional arrangements, and territorial conditions. In the Amazonian context, connectivity inequalities, geographic dispersion, and the concentration of specialized services intensify these challenges. The findings point to the need to strengthen connectivity, improve workforce capacity, and integrate telehealth into continuing professional education, with management strategies aligned to territorial specificities. |
| Description: | Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Florianópolis, 2026. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276877 |
| Date: | 2026 |
| Files | Size | Format | View |
|---|---|---|---|
| PGSC0442-T.pdf | 2.572Mb |
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