|
Abstract:
|
A aquicultura em sistemas de recirculação permite o reaproveitamento da água por meio de processos de tratamento, porém a produção de fezes e restos de alimento gera sólidos que precisam ser manejados e removidos de forma eficiente. Nesse contexto, compreender o momento de eliminação dos resíduos e seu comportamento na coluna de água pode contribuir para o aprimoramento do manejo dos sistemas de cultivo. O presente trabalho teve como objetivo descrever as atividades desenvolvidas durante a iniciação científica PIBIC no Laboratório de Piscicultura Marinha (LAPMAR/UFSC), com ênfase na determinação do tempo de trânsito gastrointestinal (TTGI) e na caracterização da sedimentação de sólidos fecais de juvenis de tainha (Mugil liza). Foram realizadas atividades de manejo e biometria dos peixes, monitoramento da qualidade da água, preparação de ração experimental contendo óxido de cromo III (Cr₂O₃) como marcador, coleta e sifonagem de sólidos, testes de sedimentação em coluna de água, filtração, secagem e organização de amostras. Também foram acompanhadas atividades complementares relacionadas ao cultivo de rotíferos, reprodução e indução hormonal, avaliação sanitária e manejo de organismos marinhos. Nos pré-testes de TTGI, realizados com juvenis de 16 a 36 g, as primeiras fezes marcadas foram observadas entre 1 h 30 min e 2 h 02 min após a alimentação, com média de 1 h 43 min, a 24,6 °C. A 20,4 °C, o aparecimento ocorreu entre 2 h 50 min e 5 h 21 min, com média de 3 h 46 min. Nos testes de sedimentação, os sólidos de sedimentação rápida apresentaram velocidades entre 3,23 e 4,60 cm s⁻¹, com média de 3,96 ± 0,48 cm s⁻¹, enquanto a fração de sedimentação lenta apresentou deslocamento progressivo ao longo do período de observação. Os resultados são preliminares e foram obtidos principalmente para a padronização dos procedimentos experimentais, não permitindo estabelecer, isoladamente, relações causais entre temperatura e TTGI. As atividades contribuíram para a caracterização inicial do comportamento dos sólidos fecais e para o desenvolvimento de procedimentos experimentais, além de proporcionar experiência prática em manejo, qualidade da água, processamento de amostras e rotina de pesquisa em aquicultura marinha. A iniciação científica também possibilitou relacionar conhecimentos teóricos da graduação com sua aplicação prática, contribuindo para a formação técnica e científica da discente. |