| Title: | Da consciência ingênua à consciência ético-epistemológica: contribuições para humanizar a cobertura jornalística sobre direitos humanos de crianças e adolescentes |
| Author: | Souza, Lynara Ojeda de |
| Abstract: |
A distância entre o compromisso social de jornalistas com a defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes e o modo como expressam a temática em seus textos jornalísticos constitui o objeto de estudo desta pesquisa. O objetivo é investigar como o jornalismo brasileiro se relaciona com o ideal de promoção dos direitos humanos de crianças e adolescentes em um país que foi constituído a partir da lógica colonial, bem como analisar se as/os jornalistas têm construído narrativas contra-hegemônicas que humanizam personagens ou têm trabalhado de modo a reiterar violações, reproduzindo estigmas e invisibilizando grupos subalternizados historicamente. O percurso metodológico compreende o levantamento das matérias jornalísticas sobre direitos humanos de crianças e adolescentes veiculadas no jornal Folha de S. Paulo online e Agência Pública no período compreendido entre 18 de março de 2020 a 23 de maio de 2022, momento em que o Brasil esteve sob decreto de calamidade pública em função da pandemia de Covid-19. Foram escolhidos dois métodos para verificar como se dá a abordagem jornalística nos dois veículos, sendo a Análise de Cobertura Jornalística (Silva e Maia, 2011) e a Análise Crítica da Narrativa (Motta, 2013). A partir do protocolo estabelecido, apresento a análise dos dados obtidos, por meio da discussão teórica entre os elementos encontrados e o referencial teórico construído nos capítulos deste trabalho. A hipótese que orienta esta pesquisa é a de que, por atuarem partindo de uma consciência ingênua acerca da temática, existe um distanciamento entre o conhecimento que as/os jornalistas possuem sobre direitos humanos e o que manifestam, de modo pouco complexo e, por vezes, desumanizador, ao abordarem o tema em seus textos jornalísticos. Como possibilidade de superação de tal modelo de atuação, defendo que repórteres acionem uma consciência ético-epistemológica ao longo de todo o processo de construção das narrativas. Os estudos realizados a partir da investigação das reportagens selecionadas indicaram que as/os profissionais dos veículos trabalham apoiadas/os em graus distintos de consciência sobre a violência contra crianças e adolescentes durante a pandemia, resultando na produção de relevantes diferenças no que se refere à construção narrativa dos sujeitos, no enquadramento do contexto de vulnerabilidade social e na articulação com os marcos normativos e sociais relativos aos direitos humanos infanto-juvenis. Abstract: The gap between journalists? social commitment to the promotion and protection of the human rights of children and adolescents and the ways in which these issues are represented in journalistic discourse constitutes the central object of this study. This research seeks to examine how Brazilian journalism engages with the ideal of advancing the human rights of children and adolescents within a society historically shaped by colonial structures. It further investigates whether journalists construct counter-hegemonic narratives that humanize social actors or, conversely, reinforce human rights violations by reproducing stigmatizing representations and rendering historically marginalized groups invisible. The methodological framework consists of a survey of journalistic reports addressing the human rights of children and adolescents published by the online editions of Folha de S. Paulo and Agência Pública between March 18, 2020, and May 23, 2022, corresponding to the period during which Brazil remained under a federal state of public calamity as a result of the COVID-19 pandemic. To examine the journalistic treatment of the issue in both news outlets, two complementary analytical approaches were employed: Journalistic Coverage Analysis (Silva & Maia, 2011) and Critical Narrative Analysis (Motta, 2013). Drawing upon the analytical protocol established for this study, the empirical findings are examined through a dialogue between the collected data and the theoretical framework developed throughout the preceding chapters. The guiding hypothesis is that journalists frequently operate from what may be understood as a naïve consciousness regarding human rights issues. Consequently, a significant gap exists between their knowledge of human rights and the ways in which these principles are translated into journalistic practice, often resulting in narratives that are insufficiently complex and, at times, dehumanizing in their portrayal of children and adolescents. As a means of overcoming this mode of professional practice, this study argues that journalists should cultivate an ethical-epistemological consciousness throughout the entire process of news production and narrative construction. The analysis of the selected reports indicates that journalists from the two news organizations operate from distinct levels of awareness regarding violence against children and adolescents during the pandemic. These differing levels of consciousness are reflected in substantial variations in the narrative construction of social actors, the framing of contexts of social vulnerability, and the articulation of legal, normative, and social frameworks pertaining to the human rights of children and adolescents. |
| Description: | Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Programa de Pós-Graduação em Jornalismo, Florianópolis, 2026. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276831 |
| Date: | 2026 |
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| PJOR0241-T.pdf | 2.501Mb |
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