Processamento sensorial, comportamento durante o atendimento odontológico e fatores associados em crianças e adolescentes autistas

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Processamento sensorial, comportamento durante o atendimento odontológico e fatores associados em crianças e adolescentes autistas

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Title: Processamento sensorial, comportamento durante o atendimento odontológico e fatores associados em crianças e adolescentes autistas
Author: Kammer, Pedro Vitali
Abstract: Esta tese investigou a relação entre processamento sensorial, comportamento durante o atendimento odontológico, experiência de cárie, comportamento alimentar, fatores familiares e qualidade de vida relacionada à saúde bucal em crianças e adolescentes autistas. Foi realizado um estudo transversal com 94 participantes, de 3 a 14 anos, atendidos em um serviço odontológico universitário em Florianópolis, Brasil. Foram incluídos participantes com diagnóstico documentado de autismo. Os cuidadores responderam questionários eletrônicos sobre características sociodemográficas, processamento sensorial, alimentação, estresse percebido, autoeficácia e qualidade de vida relacionada à saúde bucal. O processamento sensorial foi avaliado pelo Short Sensory Profile 2 (SSP-2), o comportamento alimentar pelo Brief Autism Mealtime Behavior Inventory (BAMBI), o estresse percebido pelo Perceived Stress Scale-10 (PSS-10), a autoeficácia pela General Self-Efficacy Scale (GSE) e a qualidade de vida relacionada à saúde bucal pelo B-ECOHIS, P-CPQ e Family Impact Scale, conforme a idade. Durante a consulta, um único examinador realizou escovação padronizada sem dentifrício, exame clínico odontológico, registro dos índices ceod/CPOD e BEWE, e avaliação do comportamento pela Escala de Frankl. As análises incluíram estatística descritiva, correlações de Spearman, testes de Mann?Whitney, Kruskal?Wallis com pós-teste de Dunn, regressão binomial negativa para severidade de cárie na dentição decídua e regressão logística para experiência de cárie. A amostra foi predominantemente masculina, com média de idade de 6,9 anos, e apresentou alta frequência de diferenças sensoriais: 85,7% pontuaram acima da faixa normativa na seção sensorial do SSP-2 e 91,7% na seção comportamental. A experiência de cárie foi clinicamente relevante, especialmente na dentição decídua, com predomínio do componente cariado. Nenhuma dimensão do SSP-2 se associou diretamente à experiência de cárie na dentição decídua ou permanente. A frequência de escovação se associou à severidade de cárie no modelo inicial. Quando variáveis alimentares e familiares foram adicionadas, a subescala Variedade Limitada do BAMBI foi o único preditor significativo da severidade de cárie: cada aumento de um desvio-padrão esteve associado a uma redução de 44% na contagem esperada de ceod. Esse achado não indica que dietas restritas protegem contra cárie, mas que a variedade alimentar isolada é um marcador insuficiente da exposição cariogênica. Nenhuma dimensão do SSP-2 prediz o comportamento durante o atendimento odontológico. Entre os participantes, 42% apresentaram comportamento negativo ou definitivamente negativo. Participantes com nível 3 de suporte apresentaram comportamento mais negativo do que aqueles com nível 1, mas a experiência de cárie não diferiu entre os níveis de suporte. Nas análises exploratórias, maiores escores no SSP-2 se associaram a maiores dificuldades alimentares, maior desamparo percebido pelos cuidadores, menor autoeficácia geral em algumas dimensões e pior qualidade de vida relacionada à saúde bucal, especialmente em aspectos funcionais. Conclui-se que o processamento sensorial não foi um preditor simples de cárie ou comportamento odontológico, mas se relacionou às rotinas diárias, alimentação, experiência familiar e qualidade de vida. O cuidado odontológico de crianças e adolescentes autistas deve ser neuroafirmativo, sensível às diferenças sensoriais e orientado tanto ao ambiente clínico quanto domiciliar.Abstract: This thesis investigated the relationship between sensory processing, dental behaviour, caries experience, feeding behaviour, family-related factors, and oral health-related quality of life in autistic children and adolescents. A cross-sectional study was conducted with 94 participants aged 3 to 14 years attending a university dental service in Florianópolis, Brazil. Participants were included if they had a documented autism diagnosis. Caregivers completed electronic questionnaires on sociodemographic characteristics, sensory processing, feeding behaviour, perceived stress, self-efficacy, and oral health-related quality of life. Sensory processing was assessed using the Short Sensory Profile 2 (SSP-2), feeding behaviour using the Brief Autism Mealtime Behavior Inventory (BAMBI), perceived stress using the Perceived Stress Scale-10 (PSS-10), self-efficacy using the General Self-Efficacy Scale (GSE), and oral health-related quality of life using the B-ECOHIS, P-CPQ and Family Impact Scale, according to age. During the appointment, a single examiner performed standardised toothbrushing without dentifrice, conducted the clinical oral examination, recorded dmft/DMFT and BEWE indices, and assessed dental behaviour using the Frankl Behaviour Rating Scale. Analyses included descriptive statistics, Spearman correlations, Mann?Whitney tests, Kruskal?Wallis tests with Dunn post-hoc comparisons, negative binomial regression for caries severity in the primary dentition, and logistic regression for caries experience. The sample was predominantly male, with a mean age of 6.9 years, and showed a high frequency of sensory processing differences: 85.7% scored above the normative range in the SSP-2 sensory section and 91.7% in the behavioural section. Caries burden was clinically relevant, particularly in the primary dentition, with the decayed component predominating. No SSP-2 dimension was directly associated with caries experience in either the primary or permanent dentition. Toothbrushing frequency was associated with caries severity in the initial model. When feeding and family-related variables were added, the BAMBI Limited Variety subscale was the only significant predictor of caries severity: each one-standard-deviation increase was associated with a 44% reduction in the expected dmft count. This finding does not indicate that restricted diets protect against caries, but rather that food variety alone is an insufficient marker of cariogenic exposure. No SSP-2 dimension predicted dental behaviour during the appointment. Of the 81 children rated, 42% showed negative or definitely negative behaviour. Participants with Level 3 autism support needs showed more negative dental behaviour than those with Level 1 support needs, but caries experience did not differ across support levels. In exploratory analyses, higher SSP-2 scores were associated with greater feeding difficulties, higher caregiver perceived helplessness, lower general self-efficacy in selected dimensions, and poorer oral health-related quality of life, especially in functional aspects. This thesis concludes that sensory processing was not a simple predictor of caries or dental behaviour, but was related to daily routines, feeding, family experience, and quality of life. Dental care for autistic children and adolescents should be neuroaffirmative, sensitive to sensory differences, and oriented towards both clinical and home environments.
Description: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Odontologia, Florianópolis, 2026.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276788
Date: 2026


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