| Title: | Deslocamentos maternos: impactos psicossociais da imigração involuntária |
| Author: | Flores, Luana de Castro |
| Abstract: |
A maternidade, como experiência singular, produz deslocamentos físicos e subjetivos, exigindo da mulher uma reorganização frente às transformações do corpo e à chegada da criança. Esse processo torna-se ainda mais desafiador quando ocorre junto com a experiência migratória, na qual a mãe enfrenta também desafios de adaptação cultural, reconstrução de rede de apoio e integração em um novo contexto social. Quando a migração de mulheres e crianças se dá de modo involuntário, tais desafios se intensificam em decorrência de acontecimentos externos, como desastres ambientais, situações de violência e crises econômicas, que levam mulheres e crianças a deixarem seus países de origem. A presente pesquisa propõe-se a compreender os impactos psicossociais da imigração involuntária na experiência da maternidade com mulheres residentes da Grande Florianópolis. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, de caráter descritivo e exploratório. Foram realizadas onze entrevistas em profundidade, conduzidas a partir de um roteiro semiestruturado, além da aplicação do Formulário Sociodemográfico Intercultural do NEMPsiC. As participantes são oriundas de Angola, Argentina, Cuba, Guiné-Bissau, Iraque e Venezuela. A base teórica da pesquisa foi amparada pelos pressupostos de autores da Psicanálise e Etnopsiquiatria. Os resultados foram analisados por meio da técnica de Análise de Conteúdo. No significado atribuído pelas mães ao processo migratório, comparecem questões de insegurança alimentar e violência comunitária nos países de partida. Quanto à experiência da maternidade, foram atribuídos sentidos como compromisso, responsabilidade, afetividade e ambivalência. Nos fatores de risco compareceram dificuldades no reconhecimento de suas práticas de cuidado, barreiras linguísticas, racismo e xenofobia, associados ao isolamento social, sobrecarga materna e sintomas psíquicos como depressão pós-parto. Ademais, a separação dos filhos, vivências de luto e situações de violência impactam negativamente o processo de transmissão intergeracional. Por outro lado, o reconhecimento das situações traumáticas e a oferta de dispositivos de acolhimento com competência cultural para famílias imigrantes destacam-se como importantes elementos de proteção. A forma como essas famílias são recebidas nos serviços, bem como a manutenção do apoio de seus familiares e a construção de vínculos comunitários, revela-se fundamental para a promoção do bem-viver na experiência da maternidade. Abstract: Motherhood, as a unique experience, produces physical and subjective displacements, requiring women to reorganize themselves in the face of bodily changes and the arrival of a child. This process becomes even more challenging when it occurs alongside the experience of migration, in which the mother also faces challenges of cultural adaptation, reconstruction of support networks, and integration into a new social context. When the migration of women and children is involuntary, these challenges intensify due to external events such as environmental disasters, situations of violence, and economic crises, which lead women and children to leave their countries of origin. This research aims to understand the psychosocial impacts of involuntary immigration on the experience of motherhood among women residing in Greater Florianópolis. This is a qualitative study, descriptive and exploratory in nature. Eleven in-depth interviews were conducted using a semi-structured script, in addition to the application of the NEMPsiC Intercultural Sociodemographic Form. The participants are from Angola, Argentina, Cuba, Guinea-Bissau, Iraq, and Venezuela. The theoretical basis of the research was supported by the assumptions of authors in Psychoanalysis and Ethnopsychiatry. The results were analyzed using the Content Analysis technique. In the meaning attributed by mothers to the migratory process, issues of food insecurity and community violence in the countries of origin appear. Regarding the experience of motherhood, meanings such as commitment, responsibility, affection, and ambivalence were attributed. Risk factors included difficulties in recognizing their care practices, linguistic barriers, racism and xenophobia, associated with social isolation, maternal overload, and psychological symptoms such as postpartum depression. Furthermore, separation from children, experiences of grief, and situations of violence negatively impact the intergenerational transmission process. On the other hand, the recognition of traumatic situations and the provision of culturally competent support mechanisms for immigrant families stand out as important protective elements. The way these families are received in the services, as well as maintaining support from their relatives and building community ties, proves fundamental to promoting well-being in the experience of motherhood. |
| Description: | Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Florianópolis, 2026. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276642 |
| Date: | 2026 |
| Files | Size | Format | View |
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| PPSI1210-D.pdf | 1.710Mb |
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