Afetividade, Extremismos Políticos e Psicologia Social
Author:
Medeiros, Elle de Sousa
Abstract:
Este trabalho investiga os afetos que sustentam a adesão de diferentes grupos e sujeitos brasileiros à extrema-direita, fenômeno compreendido como múltiplo e contextual, mas dotado de elementos estruturais comuns. A fundamentação teórica articula a filosofia de Espinosa, que define os afetos como efeitos das afecções do corpo em contato com outros, com as contribuições de Maria Rita Kehl sobre o ressentimento. Metodologicamente, a pesquisa adotou a abordagem de campo-tema de Peter Spink, que valoriza o contato direto com o mundo e a indissociabilidade entre a experiência do pesquisador e o objeto de estudo. O percurso investigativo combinou revisão bibliográfica em bases como SciELO e LILACS (artigos a partir de 2013) com 13 entrevistas semiestruturadas com apoiadores de pautas de direita e extrema-direita. Os resultados indicam que os afetos predominantes oscilam entre o medo e a superstição. O medo, elemento central, manifesta-se em três dimensões: na repressão cotidiana em interações sociais, na insegurança diante da própria legitimidade de expressão e na percepção de imposição ideológica por parte da esquerda, estando associado à violência e à perda de status social. Complementarmente, a superstição consolida a relação com a autoridade através de soluções transcendentes ou figuras salvadoras, enquanto o ressentimento organiza a experiência em fantasias de vingança e injustiça projetadas sobre o outro. Conclui-se que esses afetos articulam experiências individuais e expectativas morais, constituindo um mecanismo relevante para a sustentação política do fenômeno estudado.
Description:
Promoção da igualdade, fortalecimento da democracia e governança