|
Abstract:
|
As lagoas constituem ecossistemas complexos, caracterizados por elevada biodiversidade e relevante importância ecológica. A Lagoa do Peri integra o Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri (MONA Lagoa do Peri), constituindo uma bacia hidrográfica de grande relevância socioambiental, que serve como importante manancial de abastecimento público para cerca de 100 mil habitantes da região sul e leste da Ilha de Santa Catarina; além de ser utilizada para atividades recreativas. Contudo, devido a elevada urbanização, mudanças climáticas, grande presença de banhistas e antropização das áreas próximas, a lagoa tornou-se um lugar propício para a ocorrência de protozoários patogênicos emergentes. Entre esses organismos, destacam-se Blastocystis sp. e Giardia spp., associados à veiculação hídrica e a capacidade de resistência ambiental. Atualmente, o Blastocystis spp. é um dos principais protozoários marcadores de contaminação fecal na água, causador de sintomas gastrointestinais. Também, merecem destaque as Amebas de Vida Livre (AVL), parasitos amplamente distribuídos no ambiente, entre os quais algumas espécies apresentam caráter anfizoico e podem causar infecções, como encefalite amebiana granulomatosa (EAG) e ceratite. Além disso, espécies do gênero Acanthamoeba spp. podem atuar como reservatórios ambientais para outros microrganismos, incluindo bactérias potencialmente patogênicas. No presente estudo, foi analisada a ocorrência de AVL e Blastocystis sp. na Lagoa do Peri, verificando a sua correlação com parâmetros físico-químicos do local. Foram realizadas 4 campanhas de amostragem em 5 pontos da lagoa. Ao todo, obteve-se 40 amostras, 20 amostras de água presente na zona eufótica da lagoa e 20 amostras de sedimento. Por meio de plaqueamento em placas ágar não-nutriente (ANN), foi possível observar presença de AVL em 67,5% (27/40) das amostras analisadas. Dos isolados obtidos, até o momento foram caracterizadas morfologicamente 9 isolados, com características compatíveis com o gênero Acanthamoeba, com destaque para 5 isolados pertencentes ao grupo morfológico II. A partir de análises moleculares, foi possível observar a presença de Blastocystis sp. em 75% (15/20) das amostras de água. Comparando os achados com os parâmetros físico-químicos obtidos até o momento, foi observado maior ocorrência de AVL em amostras com temperaturas mais elevadas e maior ocorrência de Blastocystis sp. em temperaturas próximas de 21°C e concentrações de oxigênio dissolvido próximas de 11. Os resultados obtidos até o momento reforçam a necessidade de monitoramento de protozoários patogênicos na Lagoa do Peri, avaliando a sua correlação com a qualidade ambiental, em especial, de ecossistemas aquáticos. |