EXPERIÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO PERCEBIDA NOS SERVIÇOS DE SAÚDE E DESISTÊNCIA NA BUSCA POR ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO POR PESSOAS TRANS NO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS/SC
EXPERIÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO PERCEBIDA NOS SERVIÇOS DE SAÚDE E DESISTÊNCIA NA BUSCA POR ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO POR PESSOAS TRANS NO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS/SC
EXPERIÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO PERCEBIDA NOS SERVIÇOS DE SAÚDE E DESISTÊNCIA NA BUSCA POR ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO POR PESSOAS TRANS NO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS/SC
Author:
Gomes, Leticia Gonçalves
Abstract:
A população transgênero enfrenta diversas vulnerabilidades e barreiras no acesso aos serviços de saúde, com escassez de dados específicos sobre a saúde bucal. Este estudo investigou a relação entre a percepção da discriminação em serviços de saúde e a desistência de consulta odontológica por pessoas trans no município de Florianópolis/SC. Trata-se de um estudo observacional transversal, derivado da pesquisa 'Transbucal Floripa', que avaliou 189 participantes no Ambulatório Trans em Florianópolis/SC, entre dezembro de 2023 e março de 2024. A variável de exposição principal foi a percepção de discriminação nos serviços de saúde, e o desfecho analisado foi a desistência de consulta odontológica. Foi realizada análise descritiva apresentando frequências absolutas (n) e relativas (%) e análise inferencial por meio do modelo de Regressão de Poisson com ajuste robusto de variância para estimar a Razão de Prevalências (RP) e os Intervalos de Confiança de 95% (IC95%). O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa (Parecer nº 7400002). 54% dos participantes desistiram buscar atendimento odontológico ao menos uma vez ao longo da vida e 70% relataram experiências de discriminação nos serviços de saúde. Observou-se uma associação estatisticamente significativa entre a discriminação e a desistência de consulta odontológica, a qual foi 29% maior no grupo que vivenciou discriminação (RP = 1,29; IC95%: 1,16–1,43; p<0,001). Conclui-se que a discriminação nos serviços de saúde atua de forma importante como barreira de acesso à atenção odontológica, evidenciando a urgência de políticas públicas inclusivas e capacitação profissional para criar ambientes seguros no SUS.