|
Abstract:
|
Essa pesquisa integra o projeto “Fonologia das línguas do Golfo da Guiné”, coordenado pela professora Dra. Ana Lívia Agostinho, e foi desenvolvida em dois trabalhos ao longo da iniciação científica. O primeiro teve como foco a análise das características fonológicas suprassegmentais das interrogativas polares em Lung’Ie (LI), trabalho este que foi iniciado no ciclo 2024-2025; enquanto o segundo, concentrou-se na organização e segmentação de dados de fala do Santome (ST). O Lung’Ie e o Santome são línguas crioulas lexificadas pelo português, faladas, respectivamente, nas ilhas do Príncipe e de São Tomé, em São Tomé e Príncipe, e integram o conjunto de línguas crioulas derivadas do Protocrioulo do Golfo da Guiné (PGG), juntamente com o Angolar (AN), falado em São Tomé e Príncipe, e o Fa d’Ambô (FA), falado em Ano Bom, na Guiné Equatorial (Ferraz, 1979; Bandeira, 2017; Agostinho, 2019). No primeiro trabalho, foram analisadas 249 sentenças em Lung’Ie, produzidas por três falantes nativas, a partir de um corpus registrado em 2014. Os dados foram analisados acusticamente no software Praat, observando-se a curva entoacional das sentenças. Os resultados mostraram que as interrogativas polares produzidas com a partícula interrogativa final /a/ apresentam entonação decrescente, semelhante à das sentenças declarativas, enquanto as interrogativas sem a partícula apresentam entonação crescente. O segundo trabalho teve como foco dados de fala do Santome, coletados pela coordenadora do projeto na Ilha de São Tomé, em 2023, com seis falantes, por meio de um gravador Zoom. Inicialmente, os arquivos, com duração entre 40 e 80 minutos, foram organizados e catalogados em uma planilha, contendo informações referentes à gravação, duração, pesquisador, língua, tipo de gravação, conteúdo, conteúdo específico, gravador e transcrição/software. Posteriormente, os áudios foram segmentados e organizados no Praat, com a delimitação de frames, palavras e segmentos relevantes, de modo a sistematizar o corpus para análises fonológicas posteriores. Dessa forma, os dois trabalhos desenvolvidos no âmbito desta iniciação científica permitiram tanto a análise de um fenômeno fonológico suprassegmental do Lung’Ie quanto a preparação e sistematização de dados do Santome, contribuindo para a documentação e para o estudo fonológico das línguas do Golfo da Guiné. A organização e a segmentação dos dados constituem etapas fundamentais para a preservação dos registros linguísticos e para a realização de pesquisas futuras, podendo também colaborar com iniciativas de documentação e revitalização linguística, pois, nos termos de Crystal (2000), o Santome e as demais línguas filhas do PGG são línguas classificadas como em processo de extinção. |