| Title: | Quando o tempo é veneno: proposições para uma política nacional de antídotos a partir de uma revisão de escopo |
| Author: | Rahn, Barbara |
| Abstract: |
Na maioria dos casos de intoxicação, o tratamento sintomático e de suporte é a abordagem inicial mais adequada. Em alguns casos, o uso de antídoto correto, de forma apropriada e no momento certo, pode salvar vidas. O uso racional de antídotos contribui para a redução da mortalidade, do tempo de internação hospitalar e dos custos. O estudo teve como objetivo mapear políticas e diretrizes relacionadas à disponibilidade e à logística dos antídotos utilizados no tratamento de intoxicações agudas e crônicas. Trata-se de uma revisão de escopo com mapeamento de políticas, realizada seguindo o Manual do Joanna Briggs Institute (JBI) para Síntese de Evidências. O relato dos achados seguiu a ferramenta PRISMA-ScR. Para o estudo foram propostas as seguintes perguntas norteadoras: (1) Quais são as políticas e diretrizes que orientam a logística e a disponibilidade de antídotos em diferentes países e organismos internacionais; (2) Quais são os antídotos disponíveis que compõem essas políticas e diretrizes? (3) Quais estratégias logísticas para a distribuição de antídotos são propostas nessas políticas e diretrizes? A coleta de dados foi realizada em quatro etapas: (1) Revisão e extração de políticas e diretrizes sobre a disponibilidade e/ou logística de antídotos em sites governamentais ou de organizações reconhecidas na área. (2) Desenvolvimento de uma estratégia de busca sistematizada em bases de dados científicas. (3) Pesquisa nas listas de referências de documentos já incluídos. (4) Consolidação de todos os documentos em um repositório de dados. O protocolo foi previamente registrado no site Open Science Framework. A busca resultou em 2.842 registros, com inclusão final de 42 estudos, abrangendo 21 localidades distribuídas globalmente. Mais da metade das recomendações (54,8%) apresentava abrangência nacional, enquanto diretrizes internacionais corresponderam a 11,9%, sendo que o restante correspondia a abrangências subnacionais. Observou-se que 85,7% das diretrizes incluíam listas de antídotos; entretanto, apenas 57,1% especificavam quantidades recomendadas, 47,6% definiam tempo máximo para disponibilidade, 47,6% abordavam estratégias de logística de distribuição e apenas 33,3% tratavam explicitamente do financiamento. A participação de universidades, governos e Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) foi predominante na elaboração das recomendações, com destaque para o protagonismo acadêmico. A análise evidenciou heterogeneidade entre países quanto à definição de listas mínimas, categorização por tempo de acesso ou nível de atenção, bem como modelos de compartilhamento regional. Estratégias colaborativas, como redes eletrônicas de intercâmbio entre hospitais, mostraram-se promissoras para superar desafios relacionados a custos elevados, baixa rotatividade e vencimento de estoques. Entre as principais barreiras identificadas destacam-se limitações financeiras, fragilidade normativa, dificuldades logísticas e menor capacidade estrutural de hospitais de pequeno porte. Conclui-se que a existência de recomendações técnicas isoladas não garante disponibilidade efetiva de antídotos. A institucionalização de uma política nacional de antídotos, integrada à Política Nacional de Assistência Farmacêutica e articulada à Rede de Urgência e Emergência, com definição clara de lista nacional, categorização por tempo de disponibilidade, articulação entre os pontos das Redes de Atenção à Saúde, modelo de financiamento tripartite e sistema informatizado de monitoramento de estoques, constitui estratégia essencial para assegurar acesso oportuno e reduzir desigualdades regionais. Abstract: In most cases of poisoning, symptomatic and supportive treatment is the most appropriate initial approach. In some cases, the correct use of an antidote, administered appropriately and at the right time, can save lives.. The rational use of antidotes contributes to reducing mortality, length of hospital stay, and healthcare costs. This study aimed to map policies and guidelines related to the availability and logistics of antidotes used in the treatment of acute and chronic poisoning. This is a scoping review with policy mapping conducted in accordance with the Joanna Briggs Institute (JBI) Manual for Evidence Synthesis. The reporting of findings followed the PRISMA-ScR guideline. The following guiding questions were proposed: (1) What policies and guidelines address the logistics and availability of antidotes in different countries and international organizations? (2) Which antidotes are included in these policies and guidelines? (3) What logistical strategies for the distribution of antidotes are proposed in these policies and guidelines? Data collection was carried out in four stages: (1) review and extraction of policies and guidelines on antidote availability and/or logistics from governmental or recognized organizational websites; (2) development of a systematic search strategy for scientific databases; (3) screening of reference lists of included documents; and (4) consolidation of all documents into a data repository. The protocol was previously registered on the Open Science Framework website. The search resulted in 2,842 records, with a final inclusion of 42 studies covering 21 localities worldwide. More than half of the recommendations (54.8%) had national scope, while international guidelines accounted for 11.9%, while the remainder corresponded to subnational scopes. It was observed that 85.7% of the guidelines included antidote lists; however, only 57.1% specified recommended quantities, 47.6% defined maximum time to availability, 47.6% addressed logistical distribution strategies, and only 33.3% explicitly discussed funding mechanisms. Universities, governments and Poison Control Centers were the main actors involved in developing the recommendations, with a notable predominance of academic leadership. The analysis revealed heterogeneity across countries regarding the definition of minimum antidote lists, categorization by time to access or level of care, and models for regional sharing. Collaborative strategies, such as electronic networks for inter-hospital exchange, proved promising in addressing challenges related to high costs, low turnover, and stock expiration. The main barriers identified included financial constraints, regulatory fragility, logistical difficulties, and the limited structural capacity of small hospitals. It is concluded that the existence of isolated technical recommendations does not ensure the effective availability of antidotes. The institutionalization of a national antidote policy, integrated into the National Pharmaceutical Policy and articulated with the Urgency and Emergency Care Network, with a clearly defined national antidote list, categorization by time to availability, coordination across Health Care Network points, a tripartite financing model, and a computerized stock monitoring system, constitutes an essential strategy to ensure timely access and reduce regional inequalities. |
| Description: | Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Assistência Farmacêutica, Florianópolis, 2026. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275791 |
| Date: | 2026 |
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| PGAF0038-D.pdf | 1.606Mb |
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