|
Abstract:
|
O poliestireno expandido (EPS) é um material polimérico amplamente utilizado devido à sua baixa densidade, propriedades de isolamento térmico, capacidade de amortecimento e versatilidade de aplicação, sendo empregado principalmente em embalagens, construção civil e sistemas de proteção de produtos. Entretanto, seu elevado volume e baixa densidade dificultam o transporte, armazenamento e destinação adequada após o uso, reforçando a necessidade de alternativas para seu reaproveitamento e valorização. Entre essas possibilidades, destaca-se sua utilização na formulação de revestimentos, como primers, que atuam na preparação e proteção de substratos e cujas propriedades podem ser influenciadas pela substituição da resina convencional por material reciclado. Nesse sentido, o objetivo desse trabalho foi obter partículas a partir de resíduos de EPS utilizando metodologia descrita na literatura, bem como desenvolver e avaliar primers automotivos modificados com diferentes concentrações dessas partículas. O processo de reciclagem foi baseado na solubilização do polímero em solvente, seguida de precipitação em cossolvente, possibilitando a obtenção de partículas de EPS com distribuição de tamanho heterogênea, abrangendo a faixa nanométrica a submicrométrica. Por meio da análise dos grupos funcionais, confirmou-se que o processo de reciclagem preservou a estrutura química fundamental do polímero, sem evidências de alterações significativas em sua composição química. A partir disso, foram avaliadas uma formulação padrão e três formulações modificadas, denominadas EPS20, EPS35 e EPS50, correspondentes a 20%, 35% e 50% de substituição da resina original, respectivamente. Os resultados mostraram que a incorporação do material reciclado promoveu alterações nas propriedades das formulações, sendo mais pronunciadas com o aumento do teor de substituição. A formulação contendo 20% de EPS reciclado apresentou o melhor equilíbrio entre as propriedades avaliadas, mantendo desempenho próximo ao primer padrão. A formulação com 35% apresentou potencial de aplicação, porém com redução da aderência, enquanto a formulação com 50% apresentou separação de fases, maior dificuldade de lixamento e baixa aderência. Dessa forma, os resultados indicam que a utilização de 20% de EPS reciclado é a condição mais promissora entre as avaliadas, demonstrando potencial para o reaproveitamento de resíduos poliméricos na produção de materiais destinados ao setor de revestimentos. |