Uma pragmática do enunciado na arqueologia de Michel Foucault: o homem como acontecimento discursivo

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Uma pragmática do enunciado na arqueologia de Michel Foucault: o homem como acontecimento discursivo

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Title: Uma pragmática do enunciado na arqueologia de Michel Foucault: o homem como acontecimento discursivo
Author: Silva, Laise Franciele Souza
Abstract: A partir de uma leitura em abismoque estabelece uma continuidade não linear entre As palavras e as coisas (1966) e A arqueologia do saber (1969), propõe-se que o deslocamento na ênfase na noção de epistémê para o conceito de enunciado no livro metodológico de 1969 não implica uma ruptura com a obra de 1966, mas uma formalização necessária para pensar as transformações dos discursos, tornando inteligíveis as descontinuidades descritas pela arqueologia de Michel Foucault. O trabalho mostra que, embora exista uma afinidade com a análise formal em As palavras e as coisas, ela não é suficiente para caracterizar a investigação arqueológica. Argumenta-se, assim, que Foucault persegue, na gênese da formalização do seu método, uma exterioridade radical a partir da qual a linguagem pode funcionar efetivamente, sem pressupor como origem nem a interioridade do sujeito nem a virtualidade da estrutura. O exame de manuscritos e materiais preparatórios permite mostrar que é no encontro com a filosofia analítica, especialmente em sua vertente pragmática associada a J. L. Austin e ao segundo Ludwig Wittgenstein, que Foucault elabora uma concepção de discurso como conjunto de enunciados. Esses enunciados são concebidos como acontecimentos singulares e repetíveis, capazes de instaurar um campo de enunciabilidade que se modifica em função da duração diferencial dos acontecimentos. Com isso, torna-se possível retornar à obra de 1966 para pensar as descontinuidades das epistémês a partir do exemplo do acontecimento discursivo do Homem na modernidade.Abstract: Starting from a reading en abymethat establishes a non-linear continuity between The Order of Things(1966) and The Archaeology of Knowledge (1969), this work argues that the shift in emphasis from the notion of epistémê to the concept of the statement (énoncé), in the methodological book of 1969, does not imply a rupture with the 1966 work, but rather a necessary formalization for thinking the transformations of discourse, rendering intelligible the discontinuities described by Michel Foucault?s archaeology. The study shows that, although there is an affinity with formal analysis in The Order of Things, this is not sufficient to characterize the archaeological investigation. It is thus argued that, in the genesis of the formalization of his method, Foucault pursues a radical exteriority from which language can effectively function, without presupposing as its origin either the interiority of the subject or the virtuality of structure. The examination of manuscripts and preparatory materials makes it possible to show that it is in his encounter with analytic philosophy?especially in its pragmatic strand associated withJ. L. Austin and the later Ludwig Wittgenstein?that Foucault develops a conception of discourse as a set of statements. These statements are conceived as singular and repeatable events, capable of instituting a field of enunciability that changes according to the differential duration of events. This makes it possible to return to the 1966 work in order to think about the discontinuities of epistémês through the example of the discursive event of Man in modernity.
Description: Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Florianópolis, 2026.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275215
Date: 2026


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