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Abstract:
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Este trabalho analisa comparativamente as políticas industriais e de inovação
adotadas por Estados Unidos, Alemanha e China a partir da década de 2010, em um contexto
marcado pela emergência do paradigma da Indústria 4.0, pela fragmentação das cadeias
globais de valor e pelo acirramento da rivalidade tecnológica entre as grandes potências. O
objetivo geral é investigar como os diferentes modelos de governança influenciaram os
instrumentos e os resultados das respectivas estratégias nacionais, com foco na evolução da
produtividade, na inserção nas cadeias globais de valor e na sofisticação da pauta exportadora.
Sob a ótica teórica da nova economia da política industrial, a pesquisa adota uma abordagem
quantitativo-comparativa fundamentada em indicadores macroeconômicos de complexidade
econômica, comércio em valor adicionado, produtividade total dos fatores e índices globais de
inovação. Os resultados evidenciam trajetórias divergentes: os Estados Unidos responderam
ao seu histórico de desindustrialização com um volume inédito de subsídios e incentivos
fiscais voltados à repatriação da produção de semicondutores e tecnologias limpas; a
Alemanha manteve sua liderança em bens de capital e produtos de alta complexidade,
sustentada pela digitalização contínua de seu robusto ecossistema de pesquisa aplicada e
formação técnica profissionalizante; e a China registrou um rápido avanço estrutural,
consolidando-se como líder na exportação de veículos e eletrônicos por meio de intenso
dirigismo estatal e planejamento de longo prazo. Conclui-se que a política industrial assumiu
centralidade na busca por soberania tecnológica e que não há um modelo único replicável,
mas estratégias cuja eficácia depende intrinsecamente das capacidades estatais e da trajetória
institucional pré-existente em cada país. |