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Abstract:
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A feminização do magistério primário no Brasil, socialmente naturalizada como uma vocação inata, encobre um processo histórico de precarização e desvalorização econômica sistêmica da categoria. Fundamentado na economia feminista, este trabalho analisa o processo de feminização da docência e as suas consequências socioeconômicas a partir do marco legal da Lei de 15 de outubro de 1827. No que tange aos aspectos metodológicos, a investigação combina revisão histórica e documental com análise de dados dos Censos Demográficos de 1872 e 1920, demonstrando como a institucionalização do ensino público moldou a subalternidade da mulher na esfera pública. O estudo discute como a legislação impôs uma mutilação curricular para as meninas, afastando-as das ciências exatas e associando a atividade docente a uma mera extensão do trabalho reprodutivo. Os resultados do trabalho revelam que o Estado se apropriou do trabalho feminino sob a justificativa de que este seria um salário complementar, o que consolidou uma profunda segregação ocupacional horizontal e vertical. Conclui-se que a desvalorização financeira das professoras não foi um efeito colateral, mas o pilar estrutural que sustentou a modernização educacional do país às custas da autonomia econômica das mulheres. |