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Abstract:
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O presente trabalho orienta-se na busca por uma compreensão da participação de Santa Catarina durante a ilegalidade do tráfico atlântico de africanos escravizados. Enfocando o período após a Lei Eusébio de Queiroz (1850), utilizam-se relatórios e correspondências do Foreign Office, oriundos da ostensiva vigilância britânica na costa brasileira para que o país se comprometesse a cumprir tratados e leis antitráfico. Essas fontes registram denúncias, casos de julgamento e trocas diplomáticas entre autoridades brasileiras e inglesas, constituindo um suporte imprescindível para delinear as movimentações de viagens engajadas no contrabando. A partir do jogo de escalas de Jacques Revel, a pesquisa concentra-se em uma embarcação que chegou à província catarinense em dezembro de 1852 e foi apreendida em março de 1853 sob suspeita de estar destinada ao tráfico de escravos, a Sem Igual. Complementando o estudo, jornais do Rio de Janeiro e da Bahia são importantes para visualizar as movimentações desta embarcação e do proprietário, João da Costa Junior. A microanálise constitui peça-chave para examinar este caso específico, em conjunto com outras suspeitas do litoral sul, para então refletir a função desempenhada por Santa Catarina no tráfico atlântico. Diante da ilegalidade e da reconfiguração do contrabando, a província ocupava um espaço voltado para a preparação ou recepção de embarcações engajadas em viagens atlânticas. As águas catarinenses eram atrativas devido a seu litoral reservado, constituindo-se como uma das rotas onde o comércio negreiro se adaptou para contornar as pressões do abolicionismo britânico e das legislações antitráfico. |