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Abstract:
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Esta pesquisa analisa como a performatividade de gênero se manifesta nas artes circenses e investiga em que medida o circo pode constituir-se como espaço de subversão das identidades binárias de gênero. Situada no campo da Antropologia Feminista, a investigação parte da compreensão do gênero como construção social, histórica, cultural e política, buscando compreender como artistas circenses dissidentes produzem sentidos sobre seus corpos, suas práticas performáticas e suas experiências de gênero. Metodologicamente, a pesquisa foi desenvolvida por meio de etnografia, utilizando observação participante, diários de campo e entrevistas semiestruturadas realizadas com artistas circenses gênero-dissidentes atuantes em Florianópolis (SC), em interlocução com eventos, performances e práticas vinculadas ao contexto do circo contemporâneo desviante. O referencial teórico articula contribuições de Judith Butler, Thomas Csordas, Paul Preciado e autorias da Antropologia Feminista, possibilitando refletir sobre performatividade, corporeidade e dissidências de gênero. Os resultados evidenciam que as práticas circenses favorecem processos de experimentação corporal, autoexpressão e elaboração subjetiva, permitindo que artistas questionem, ressignifiquem e reinventem normas de gênero socialmente naturalizadas. As narrativas analisadas demonstram que o circo opera como espaço ambivalente, capaz tanto de reproduzir quanto de tensionar estruturas normativas. Entretanto, sua ênfase na criatividade, na presença corporal e na exploração de diferentes formas de existência amplia as possibilidades de construção de corporalidades dissidentes. Conclui-se que, além de linguagem, o circo é espaço de invenção de outras formas de existir que, para além das ambivalências, é arte dos encontros. |