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Abstract:
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A colonialidade permeia as formas com que vivenciamos o mundo, sua lógica dicotômica está presente nos discursos e instrumentos políticos ambientais, onde a natureza é compreendida como serviço ou recurso a ser explorado. Nessa perspectiva, a governança comunitária de um território é pouco reconhecida como um processo plural e as diferentes cosmovisões são ignoradas, reforçando perspectivas e práticas hegemônicas, que servem ao interesse do capital. O presente estudo pretende analisar as percepções acerca das Contribuições da Natureza para as Pessoas (CNPs), das pessoas consideradas atoras sociais e que, participaram do processo de elaboração do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMA) de Imbituba. A partir da observação participativa e coleta de dados com entrevistas semi-estruturadas, á luz da abordagem das CNPs, foi possível identificar 83 elementos da natureza, associados a 362 CNPs, com predomínio das CNPs não materiais e materiais sobre as CNPs de regulação, evidenciando o valor cultural e social da natureza para as pessoas. Os resultados indicam elementos da natureza prevalentes e relações de interdependência, entre humanos e natureza, essenciais para a manutenção desses elementos no território. Bem como, fazem parte da construção da cultura local e dos princípios da governança identificada. Revelam-se também ameaças à governança pela falta de reconhecimento das cosmovisões e do papel das comunidades na gestão territorial. Conclui-se que as pessoas atoras têm um papel relevante na sustentação da sociobiodiversidade do território e as CNPs identificadas podem orientar políticas públicas alinhadas à realidade local. |