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Abstract:
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Este trabalho analisa a influência das construções sociais de masculinidade na perpetuação da
violência praticada por homens acompanhados pela Central de Penas e Medidas Alternativas
(CPMA) de Palhoça/SC, considerando os efeitos das masculinidades hegemônicas, do
patriarcado e das dinâmicas capitalistas sobre os comportamentos violentos. O estudo tem
como objetivo compreender como normas de gênero internalizadas ao longo da socialização
masculina atuam na produção de padrões de controle, poder e domínio que se expressam em
diferentes formas de violência, especialmente no contexto das relações íntimas. A pesquisa
adota abordagem qualitativa, articulando revisão bibliográfica, análise documental e
observação das práticas desenvolvidas no Programa Grupo Refletir, onde são realizados
atendimentos grupais com homens autores de violência. A partir da análise dos encontros, foi
possível identificar que a construção da identidade masculina está diretamente associada a
expectativas de força, autossuficiência e autoridade, que tendem a restringir a expressão
emocional, dificultar a resolução não violenta dos conflitos e manter relações de gênero. Os
resultados demonstram que a violência é compreendida não como um ato isolado, mas como
expressão de um sistema social que naturaliza a desigualdade entre homens e mulheres e
reforça comportamentos de controle. Evidencia-se que intervenções grupais fundamentadas
em metodologias críticas e dialógicas contribuem para o questionamento das normas de
gênero, favorecendo reflexões sobre responsabilização, empatia e construção de relações
menos violentas. Conclui-se que o enfrentamento da violência de gênero exige a
desconstrução das masculinidades hegemônicas e a criação de estratégias de intervenção que
articulem política pública, formação continuada e práticas restaurativas, ampliando o
potencial transformador do trabalho social com homens autores de violência. |