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A leishmaniose visceral canina (LVC) é uma enfermidade infecciosa crônica, de caráter
multissistêmico e potencial zoonótico, causada por Leishmania infantum e transmitida por
ebotomíneos do gênero Lutzomyia. Historicamente restrita a regiões endêmicas do Brasil, a
doença encontra-se em franca expansão para a Região Sul, incluindo municípios do Rio
Grande do Sul anteriormente considerados indenes. O presente trabalho relata e discute seis
casos de LVC atendidos no setor de Clínica Médica de Pequenos Animais do Hospital
Veterinário Universitário da Universidade Federal de Santa Maria (HVU-UFSM) entre março
e maio de 2026. Os animais foram selecionados com base na diversidade de apresentações
clínicas, laboratoriais e estádios evolutivos, contemplando desde animais assintomáticos até
quadros de maior gravidade com desfecho fatal. As manifestações cutâneas foram as mais
frequentes, com onicogrifose presente em todos os casos. Os achados laboratoriais incluíram
anemia normocítica normocrômica não regenerativa, linfopenia, disproteinemia com
hiperglobulinemia policlonal e hipoalbuminemia, azotemia e proteinúria em graus variáveis. O
estadiamento clínico, realizado segundo as diretrizes do Brasileish (2025) e do sistema
LeishVet (2024), classi cou os animais entre os estádios II e VI, re etindo o amplo espectro
evolutivo da doença. O protocolo terapêutico foi individualizado conforme o estadiamento e
as comorbidades de cada paciente, com base no uso de alopurinol e miltefosina. A maioria
dos animais apresentou evolução favorável sob tratamento, com exceção de um paciente em
estádio VI que evoluiu para óbito. O comprometimento renal progressivo constituiu o
principal fator prognóstico negativo da casuística. Os casos relatados evidenciam a expansão
da LVC para o interior gaúcho e reforçam a importância do diagnóstico precoce, do
estadiamento clínico criterioso e do acompanhamento longitudinal para o sucesso terapêutico.
Por constituir uma zoonose de noti cação compulsória, o controle efetivo da doença depende
também da conscientização da população sobre as formas de transmissão, as medidas
preventivas individuais e a posse responsável de animais, sendo a educação em saúde pilar
fundamental das estratégias de enfrentamento da leishmaniose visceral canina na Região Sul
do Brasil. |
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