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Abstract:
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Desde os anos 60, o paradigma cognitivista tornou-se central nos estudos da mente e da cognição. Uma suposição fundamental desse paradigma é a de que a cognição é a manipulação computacional de representações. O cognitivismo é consistente com a imagem tradicional da mente como algo interno e que se realiza exclusivamente no cérebro. Contudo, a partir dos anos 80, uma série de críticas teóricas e empíricas começou a abalar essa suposição, dando origem às abordagens corporificadas da mente. Essas abordagens sustentam que o corpo e as ações de um organismo constituem as suas cognições. Em vez de pensar o organismo como algo que reage aos estímulos a partir de um programa interno, essas abordagens supõem que o organismo age no ambiente para conhecê-lo. Neste livro, apresento essa história a partir da abordagem ecológica da percepção. Após assinalar os três principais comprometimentos do cognitivismo clássico, a saber, o representacionalismo, o funcionalismo e o cerebralismo, mostro como a abordagem ecológica desafia cada um desses comprometimentos. Articulo a concepção de mente e de cognição que a abordagem ecológica implica e exploro as suas consequências epistemológicas. Em vez de uma epistemologia centrada no conhecimento proposicional, sustento que a epistemologia deve centrar-se na noção de habilidade. O livro serve como uma introdução autoral às questões centrais e atuais da filosofia das ciências cognitivas. |