| Title: | Entre montes e colinas: Paisagem e mito na literatura de Cesare Pavese |
| Author: | de Moura, Milena Piccoli |
| Abstract: |
Este trabalho se propõe a investigar duas paisagens recorrentes na obra de Cesare Pavese, os montes e as colinas, a fim de compreender sua configuração como imagens persistentes em sua produção literária. Para essa investigação, foram selecionados os Diálogos com Leucó (2011 [1947]) e dois poemas do autor: “Tu ignoras as colinas”, presente em Virá a morte e terá os teus olhos (2022 [1951]), e “Paisagem I”, de Trabalhar cansa (2022 [1936]). A pesquisa busca refletir sobre como Pavese mobiliza a mitologia de modo a tensionar a compreensão corrente do mito como algo morto ou acabado. Contemporaneamente ao movimento de Adorno e Horkheimer (1985 [1947]), que investigam os usos perversos do mito pelo esclarecimento e pelo nazifascismo, Pavese não se limita a evidenciar essa relação, mas procura também escutar as vozes esquecidas pelo arquivo da mitologia clássica, se opondo a uma concepção de história fundada no kléos. Partimos da hipótese de que a retomada da paisagem dos montes desempenha funções simultaneamente míticas e políticas, perturbando uma lógica canônica de arquivo e de história. Tal aspecto torna-se mais evidente quando alguns dos diálogos são lidos em conjunto com “Tu ignoras as colinas” (1945) e “Paisagem I” (1933). Nesse sentido, aproximamos a concepção pavesiana de mito da noção benjaminiana de história (2012), especialmente no que se refere ao anacronismo, figurado pela imagem do vórtice proposta por Agamben (2018). Já as colinas, em contraste com os montes – espaço em que se confrontam principalmente deuses, titãs, criaturas míticas mais antigas e mortais que conquistaram seu lugar na história por meio do kléos –, constituem um território habitado sobretudo por anônimos. Essa configuração produz uma espécie de ruído em qualquer concepção histórica alinhada ao progresso, aspecto que se evidencia particularmente na escolha métrica do poema “Paisagem I”. Ao longo deste estudo, mobilizamos diferentes perspectivas sobre paisagem, imagem, mito e história, buscando tensionar questões já apontadas pela crítica pavesiana, entre elas a elaboração do ponto de sutura entre mito e história e a relação entre imagem e paisagem na literatura de Cesare Pavese. Questo lavoro si propone di indagare due paesaggi ricorrenti nell'opera di Cesare Pavese, i monti e le colline, al fine di comprendere la loro configurazione come immagini persistenti nella sua produzione letteraria. Per questa indagine sono stati selezionati i Dialoghi con Leucò (2011 [1947]) e due poesie dell'autore: “Tu ignoras as colinas”, contenuta in Verrà la morte e avrà i tuoi occhi (2022 [1951]), e “Paesaggio I”, da Lavorare stanca (2022 [1936]). La ricerca intende riflettere sul modo in cui Pavese mobilita la mitologia, mettendo in tensione la concezione corrente del mito come qualcosa di morto o concluso. Contemporaneamente al percorso di riflessione di Adorno e Horkheimer (1985 [1947]), che indagano gli usi perversi del mito da parte dell'Illuminismo e del nazifascismo, Pavese non si limita a evidenziare tale relazione, ma cerca anche di ascoltare le voci dimenticate dall'archivio della mitologia classica, opponendosi a una concezione della storia fondata sul kléos. Partiamo dall'ipotesi che la ripresa del paesaggio dei monti svolga funzioni al contempo mitiche e politiche, perturbando una logica canonica dell'archivio e della storia. Tale aspetto emerge con maggiore evidenza quando alcuni dei dialoghi vengono letti congiuntamente a “Tu ignoras as colinas” (1945) e a “Paesaggio I” (1933). In questa prospettiva, avviciniamo la concezione pavesiana del mito alla nozione benjaminiana di storia (2012), in particolare per quanto riguarda l'anacronismo, figurato attraverso l'immagine del vortice proposta da Agamben (2018). Le colline, invece, in contrasto con i monti – spazio nel quale si confrontano principalmente dèi, titani, creature mitiche più antiche e mortali che hanno conquistato il proprio posto nella storia attraverso il kléos – costituiscono un territorio abitato soprattutto da anonimi. Questa configurazione produce una sorta di disturbo in qualsiasi concezione della storia orientata all'idea di progresso, aspetto che emerge in modo particolarmente evidente nella scelta metrica della poesia “Paesaggio I”. Nel corso di questo studio, mobilitiamo diverse prospettive sul paesaggio, l'immagine, il mito e la storia, cercando di problematizzare questioni già individuate dalla critica pavesiana, tra cui l'elaborazione del punto di sutura tra mito e storia e la relazione tra immagine e paesaggio nella letteratura di Cesare Pavese. |
| Description: | TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Língua Portuguesa e Literaturas em Língua Portuguesa. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/274638 |
| Date: | 2026-06-30 |
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| Milena_-_TCC_-_ ... _de_Cesare_Pavese.docx.pdf | 1.463Mb |
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