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Abstract:
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A alimentação durante a gestação exerce influência direta sobre a saúde materna e
o desenvolvimento fetal, tornando a avaliação do consumo alimentar e das práticas
culinárias de gestantes relevante para o planejamento de ações de saúde e
educação nutricional. O presente estudo teve como objetivo avaliar o consumo
alimentar e as práticas culinárias de gestantes residentes na Grande Florianópolis,
Santa Catarina. Trata-se de um estudo observacional, transversal e descritivo, de
caráter exploratório, realizado com 44 gestantes adultas recrutadas por
conveniência. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário online
autoaplicável, contemplando informações sociodemográficas, dados gestacionais,
questionário de frequência alimentar e questões sobre práticas culinárias. A análise
dos dados foi descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas e medidas
de tendência central, utilizando o software SPSS. O estudo foi aprovado pelo Comitê
de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa
Catarina. A amostra apresentou idade média de 31,98 ± 5,65 anos e idade
gestacional média de 25,07 ± 9,55 semanas. O índice de massa corporal
pré-gestacional médio foi de 25,30 ± 4,64 kg/m², caracterizando início da gestação
em faixa de sobrepeso. A prevalência de anemia foi de 29,5%, mesmo diante do uso
frequente de suplementação de ferro, relatado por 63,6% das participantes. Em
relação ao consumo alimentar, identificou-se frequência satisfatória de ingestão de
ovos, carnes, frutas e laticínios, em contraste com baixo consumo de pescados
frescos, oleaginosas e sementes. O consumo de alimentos ultraprocessados foi
recorrente, com destaque para molhos prontos (43,2% com consumo semanal ou
mais), requeijão (54,5%), refrigerantes (27,2%) e margarina (29,5%). Quanto aos
alimentos com recomendação de restrição, o consumo frequente de cafeína foi o
achado de maior relevância clínica, presente em 45,4% das gestantes.
Comportamentos associados a risco sanitário, como consumo de carne mal passada
(15,9%), sushi (31,1%) e queijos não pasteurizados (15,9%), foram identificados em
parcela da amostra. As práticas culinárias foram predominantemente positivas, com
88,6% das gestantes referindo cozinhar em casa ao menos três vezes na semana,
embora 65,9% tenham relatado que cozinhariam com maior frequência se
dispusessem de mais tempo. As redes sociais foram a principal fonte de informação
alimentar durante a gestação (52,2%), superando profissionais de saúde, e apenas
27,3% das participantes relataram acompanhamento com nutricionista. Os achados
evidenciam um padrão alimentar misto, com inadequações nutricionalmente
relevantes coexistindo com comportamentos positivos, e reforçam a importância da
ampliação do acompanhamento nutricional no pré-natal e do desenvolvimento de
estratégias de educação alimentar direcionadas a esse grupo. |