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Abstract:
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O gasto militar costuma ser defendido como motor de crescimento econômico, ideia sintetizada no conceito de keynesianismo militar; este trabalho investiga se essa defesa se confirma quando confrontada com dados de longo prazo. O objetivo é avaliar a relação entre gasto militar e crescimento econômico e compreender por que o Complexo Industrial-Militar dos Estados Unidos permanece central mesmo diante de evidências contrárias à sua eficiência. A pesquisa adota abordagem comparativa e empírica, analisando Estados Unidos, China, Alemanha, Japão e Reino Unido entre 1990 e 2024, a partir de 175 observações por país-ano. O percurso metodológico parte da revisão das principais correntes teóricas sobre keynesianismo militar e Complexo Industrial-Militar e avança para o tratamento estatístico das séries de gasto militar e crescimento, com cálculo de correlações para cada país. Os dados mostram que, na maioria dos casos, não há relação estatisticamente significativa entre as duas variáveis. O caso estadunidense é o único com correlação significativa, e ela é negativa, contrariando a hipótese de que o gasto militar impulsionaria o crescimento. Diante desse resultado, o trabalho desloca a explicação do terreno econômico para o político: a fragmentação deliberada da produção militar entre estados e distritos converte o gasto em uma rede de interesses que sustenta o modelo independentemente de seu desempenho econômico. Conclui-se, assim, que o keynesianismo militar é economicamente ineficiente, porém politicamente eficaz, o que explica a permanência do Complexo Industrial-Militar como estrutura autossustentável. A contribuição do trabalho está em unir evidência empírica comparada e interpretação teórica para distinguir a justificativa econômica do gasto militar de sua real lógica de reprodução. |