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Abstract:
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O presente trabalho analisa os impactos econômicos das medidas tarifárias implementadas
pelos Estados Unidos em 2025, conhecidas como “tarifaço”, sobre as exportações brasileiras
de café. A pesquisa parte da compreensão de que as tarifas de importação constituem
importantes instrumentos de política comercial e podem produzir efeitos significativos sobre os
fluxos internacionais de comércio, influenciando a competitividade dos países e a dinâmica dos
mercados globais. Nesse contexto, buscou-se compreender as motivações da política tarifária
adotada pelo governo Donald Trump, sua evolução ao longo de 2025 e seus reflexos sobre o
setor cafeeiro brasileiro. Para atingir esse objetivo, realizou-se uma pesquisa bibliográfica de
abordagem qualitativa e quantitativa, fundamentada em literatura especializada sobre comércio
internacional, protecionismo, guerras comerciais e economia política do café.
Complementarmente, foram analisados dados de comércio exterior provenientes da plataforma
UN Comtrade Database, com foco na NCM 0901.11, correspondente ao café não torrado e não
descafeinado, principal categoria exportada pelo Brasil. Os dados foram sistematizados e
comparados entre os anos de 2024 e 2025, permitindo avaliar alterações nos fluxos comerciais,
na participação dos principais mercados compradores e no desempenho exportador do setor. Os
resultados indicam que a imposição das tarifas norte-americanas provocou mudanças na
composição geográfica das exportações brasileiras de café, reduzindo a participação relativa
dos Estados Unidos entre os principais destinos do produto. Entretanto, não foi observada
retração significativa do desempenho exportador do setor. Ao contrário, as exportações
brasileiras registraram valores elevados ao longo de 2025, impulsionadas pela valorização
internacional do café, pela manutenção da demanda global e pela capacidade dos exportadores
de redirecionar seus embarques para outros mercados consumidores, especialmente na Europa
e na Ásia. Conclui-se que o principal efeito do tarifaço sobre o café brasileiro não foi a redução
das exportações, mas sim a reorganização dos fluxos comerciais internacionais. Os resultados
evidenciam a capacidade de adaptação do setor cafeeiro brasileiro diante de mudanças no
ambiente econômico internacional e reforçam a importância da diversificação de mercados
como estratégia para reduzir vulnerabilidades associadas à adoção de medidas protecionistas
por grandes economias. |