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Abstract:
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Esta monografia analisa a associação entre a financeirização dos mercados agroalimentares e a
segurança alimentar em economias emergentes e em desenvolvimento entre 2010 e 2023,
tomando a inflação doméstica de alimentos como canal de transmissão para o acesso econômico
à alimentação. A pesquisa parte da compreensão de que a fome não decorre apenas da
insuficiência produtiva de alimentos, mas também das condições econômicas, políticas e sociais
que determinam quem consegue acessá-los. Nesse sentido, o trabalho desloca a análise da
produção para o acesso, entendendo que o aumento dos preços dos alimentos pode restringir o
poder de compra das famílias e, consequentemente, comprometer a segurança alimentar. A
financeirização agroalimentar é compreendida como a crescente incorporação dos mercados de
alimentos à lógica financeira, especialmente por meio da atuação de agentes financeiros nos
mercados futuros de commodities agrícolas. Parte-se da hipótese de que a ampliação dessas
operações pode pressionar os preços internacionais dos alimentos e que seus efeitos domésticos
tendem a ser mais fortes em economias com maior dependência de importações, fator observado
em EMDEs, ainda que não sejam tratadas como um grupo homogêneo. Para desenvolver essa
discussão, a pesquisa combina revisão bibliográfica, análise de dados secundários e estimação
econométrica em painel. Inicialmente, revisa-se a literatura sobre financeirização em sentido
amplo, sua manifestação no setor agroalimentar e as formas possíveis de mensurá-la. Em
seguida, discute-se a segurança alimentar a partir de suas definições institucionais e de suas
dimensões, com ênfase no acesso econômico à alimentação. A inflação de alimentos é, então,
tratada como um indicador de pressão sobre esse acesso, uma vez que traduz a perda de poder
de compra diante da elevação dos preços. Empiricamente, a financeirização agroalimentar é
operacionalizada pela presença líquida de agentes financeiros nos mercados futuros agrícolas,
enquanto a exposição à importação mede a vulnerabilidade externa dos países diante dos preços
internacionais de commodities alimentares. O modelo busca verificar se a interação entre essas
duas dimensões está associada à inflação doméstica de alimentos. Os resultados para o conjunto
das EMDEs indicam sinais compatíveis com a hipótese do trabalho, sugerindo que a
financeirização, quando combinada à maior exposição importadora, pode estar associada a
pressões inflacionárias sobre os alimentos. No entanto, para entender a robustez do modelo
buscou-se explorar a análise regional. Os resultados mostram que o modelo se comporta de
maneira distinta entre as regiões, evidenciando que a financeirização dos mercados
agroalimentares não se converte automaticamente em inflação doméstica. Seus efeitos são
filtrados por fatores como dependência importadora ou posição exportadora, dieta base da
população e atuação estatal para amortecer choques inflacionários. Entre as regiões analisadas,
a África Subsaariana apresenta maior aderência à hipótese do trabalho, enquanto outras regiões
revelam resultados mais instáveis ou condicionados por características próprias. Conclui-se,
portanto, que a financeirização pode pressionar os preços dos alimentos, mas sua conversão em
inflação doméstica e em restrição ao acesso alimentar depende das estruturas econômicas e
institucionais de cada região. |