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Abstract:
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O presente trabalho tem como objetivo analisar como o fenômeno da financeirização, por
meio da mudança na alocação dos recursos e da diminuição do dinamismo industrial,
intensifica a concentração de renda e atua como um dos motores do aumento da desigualdade
social no Brasil. Sendo assim, o trabalho demonstra como o capital financeiro se tornou mais
atrativo aos detentores de capital e alterou o cálculo capitalista de alocação dos recursos,
utilizando os conceitos de capital portador de juros e fictício de Karl Marx para demonstrar
sua capacidade de emancipação da produção e, articulando com a tese de Thomas Piketty de
que, quando os rendimentos do capital superam o crescimento econômico, o capitalismo
produz automaticamente desigualdades insustentáveis por meio da concentração de renda.
Assim, fez-se a análise de como essa teoria se materializou no cenário brasileiro. A estrutura
macroeconômica adotada alterou o cálculo capitalista e desestimulou o investimento
produtivo, conduzindo o país a um cenário de desindustrialização precoce, reprimarização de
sua estrutura produtiva e aumento da concentração de renda. Portanto, concluiu-se que a
desigualdade no Brasil é continuamente realimentada por essa estrutura macroeconômica que
favorece o setor financeiro em detrimento do setor industrial. |