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Abstract:
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Este trabalho analisa a atuação internacional do Brasil durante os governos Lula (2003-2010) por meio de três coalizões internacionais: a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), o Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul (IBAS) e o agrupamento Brasil, Rússia, Índia, China e, posteriormente, África do Sul (BRICS). O estudo combina revisão bibliográfica da literatura especializada em política externa brasileira com análise de casos concretos que apresentam a atuação do Brasil em cada uma dessas coalizões. O objetivo central é compreender os alcances e os limites da atuação do Brasil em cada uma dessas três coalizões, examinando como o país mobilizou lógicas diplomáticas distintas em cada uma delas. A pesquisa organiza a literatura sobre o período em três blocos teóricos – liderança regional, autonomia e multilateralismo como barganha –, e aplica essas lentes à análise de cada coalizão específica. A UNASUL é examinada pela corrente da liderança regional, tendo como caso central a mediação da crise política boliviana de 2008; o IBAS é analisado pela lógica da cooperação Sul-Sul, que se concretiza pelo contencioso das patentes farmacêuticas; e o BRICS é interpretado pela lente do multilateralismo como barganha, com a reforma das cotas do FMI após a crise financeira de 2008 como caso representativo. O trabalho evidencia que, apesar de mobilizarem estratégias distintas, as três coalizões serviram a um mesmo objetivo de ampliação da autonomia brasileira no sistema internacional, entendida como capacidade de decisão, negociação e construção de espaços próprios de atuação diante das assimetrias do sistema internacional. Conclui-se que a política externa brasileira do período configurou uma estratégia ambiciosa e plural, cujos alcances e limites refletem a complexidade do lugar ocupado pelo Brasil no cenário internacional do início do século XXI. |