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Abstract:
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A crescente valorização internacional da biodiversidade e a expansão da bioeconomia têm
criado novas oportunidades de inserção econômica para produtos da sociobiodiversidade
brasileira. Este trabalho analisa os potenciais e os limites da internacionalização do pinhão
(Araucaria angustifolia) da Serra Catarinense para o mercado chinês, buscando responder em
que medida esse processo pode contribuir para o desenvolvimento territorial da região ou,
alternativamente, reproduzir mecanismos associados ao que se denomina dependência verde.
Para tanto, o estudo articula a Teoria da Dependência, a abordagem das Cadeias Globais de
Valor, a literatura sobre bioeconomia e neoextrativismo e o institucionalismo do
desenvolvimento, em diálogo com evidências empíricas sobre a cadeia produtiva regional e
sobre os condicionantes externos impostos pelo comércio Brasil-China. Adota-se abordagem
qualitativa, estruturada como estudo de caso, combinando pesquisa bibliográfica e
documental, consulta a bases de dados oficiais, cobertura jornalística sobre a primeira
exportação documentada de pinhão da Serra Catarinense para a China, ocorrida em maio de
2025, após período de testes iniciado em 2020; e dados obtidos em pesquisa de campo junto a
atores da cadeia produtiva diretamente envolvidos nessa operação. Os resultados demonstram
que a cadeia produtiva do pinhão é marcada por informalidade, baixa agregação de valor,
capacidade institucional regional ainda incipiente e dependência tecnológica de infraestrutura
de conservação controlada por intermediários, condições que ampliam o risco de captura
externa de valor diante da internacionalização do produto. O episódio concreto de exportação
analisado oferece evidência empírica desse risco, ao revelar que etapas estratégicas da cadeia
- processamento, diversificação de uso e acesso regulatório ao mercado importador - tendem a
permanecer concentradas fora do território produtor. Conclui-se que a internacionalização do
pinhão representa oportunidade econômica real para a Serra Catarinense, mas que, nas
condições institucionais atualmente observadas, tende a reproduzir dinâmicas de dependência
verde, salvo se fortalecidas estratégias de coordenação coletiva, diferenciação territorial e
agregação local de valor. |