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Este trabalho analisa como o diplomata muçulmano Amad Ibn Fadlan percebe e descreve os ritos funerários dos Rus em seu relato de viagem conhecido como Viagem ao Volga, produzido entre 921 e 922, buscando investigar como a visão particular do autor atravessa seu olhar. Para isso, o objetivo geral da pesquisa é compreender como o viajante descreve os ritos funerários dos Rus, enquanto os objetivos específicos consistem em analisar a influência de sua visão de mundo islâmica nessa descrição e investigar a escolha dos elementos sobre ritos fúnebres dos Rus que aparecem descritos na fonte. Metodologicamente, a pesquisa realiza uma análise de fonte histórica a partir da tradução portuguesa de Viagem ao Volga, publicada por Pedro Martins Criado em 2018. O referencial teórico fundamenta-se nos conceitos de alteridade e representação do Outro de Peter Burke, nos estudos sobre ritos de passagem de Arnold van Gennep, nas reflexões sobre ritual e crença de Jean-Claude Schmitt e nas discussões sobre imaginário medieval propostas por Jacques Le Goff. Os resultados indicam que a identidade muçulmana de Ibn Fadlan influencia significativamente sua percepção sobre os Rus, especialmente em aspectos relacionados à pureza ritual, sexualidade e tratamento dos mortos. Ainda assim, seu relato não se limita à construção de uma caricatura do Outro, pois Ibn Fadlan revela esforço em compreender a lógica interna dos ritos observados. Por isso, conclui-se que a obra é influenciada pela maneira como o autor parece interpretar a realidade a partir de valores islâmicos e é escrita a partir de uma posição política e cultural específica. |
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