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Abstract:
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Este trabalho investiga como talento, sorte e diferentes regimes fiscais
interagem na formação da riqueza extrema e na compressão da desigualdade. Para isso, desenvolve-se um modelo baseado em agentes
(Agent-Based Model) com calibração exploratória orientada por padrões estilizados de concentração patrimonial, no qual 10 000 agentes
heterogêneos em talento acumulam riqueza ao longo de 480 períodos
mensais (40 anos), sujeitos a choques estocásticos estratificados e a
regimes de acumulação definidos por limiares de R$ 1 milhão, R$ 100
milhões e R$ 1 bilhão. Quatro cenários fiscais são comparados sob
desenho de Monte Carlo pareado, com 1 000 simulações por cenário:
base, imposto sobre fortuna (Wealth Tax, WT), imposto progressivo
sobre consumo (IPC) e regime híbrido. Os resultados distinguem duas
dimensões da desigualdade. Na desigualdade ampla, o IPC é o instrumento mais eficaz: reduz o índice de Gini de 0,914 no cenário-base
para 0,840, ante 0,882 sob o WT. Na cauda extrema, a hierarquia
se inverte: o WT reduz a probabilidade de emergência de ao menos
um bilionário de 13,2% para 6,6%, contra 8,6% sob o IPC. O regime
híbrido apresenta o melhor desempenho conjunto (Gini 0,831; probabilidade de bilionário 4,3%). Uma análise complementar mostra que o
talento individual explica menos de 1% da variância da riqueza final.
O estudo não sustenta que o IPC elimine bilionários de forma superior
ao imposto sobre fortuna; antes, mostra que a escolha do instrumento
depende do objetivo distributivo priorizado. |