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Abstract:
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O endividamento familiar é frequentemente associado na literatura de finanças comportamentais a falhas de autocontrole e baixa reflexão cognitiva. Contudo, evidências recentes sugerem que essa relação não se sustenta de forma homogênea no topo da pirâmide de renda. Este trabalho investiga a heterogeneidade do comportamento financeiro no Brasil, analisando se o endividamento de alta renda reflete uma estratégia de alavancagem racional ou a persistência de vieses cognitivos específicos. Utilizou-se um dataset público de clientes de alta renda de um grande banco privado brasileiro, aplicando regressões logísticas para testar a relação entre o Teste de Reflexão Cognitiva (CRT) e o uso de crédito, além de um teste de sensibilidade ao custo baseado no período de carência de dez dias do cheque especial. Os resultados indicam que, diferentemente da população geral, o desempenho no CRT não explica o endividamento entre os afluentes. A análise revelou uma dualidade comportamental: a maioria da amostra (cerca de 80%) demonstra alavancagem racional, respondendo ativamente a incentivos institucionais de custo, enquanto uma minoria (aproximadamente 20%) exibe padrões consistentes com vieses de otimismo excessivo e excesso de confiança. Conclui-se que políticas de educação financeira "tamanho único" são ineficazes para este público. À luz da Resolução Conjunta nº 8/2023 do Banco Central do Brasil, propõe-se uma abordagem regulatória segmentada: foco em autocontrole para a renda mista e incentivos ao endividamento racional combinados com calibragem de expectativas para mitigar os remanescentes vieses cognitivos no segmento de alta renda. |