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A suinocultura constitui uma das atividades mais emissoras de gases de efeito
estufa no Brasil. Santa Catarina se destaca como o principal estado na produção de
suínos e a grande quantidade de dejetos gerados pela atividade torna o uso como
fertilizante para produção agrícola uma alternativa. Entretanto, a alta emissão de
N₂O por parte do solo adubado com esses dejetos coloca a viabilidade dessa prática
tradicional em questão. Estudos feitos no município de Braço do Norte, em SC,
apresentaram uma redução na emissão de N₂O a partir do uso de dejetos
compostados no solo para cultivo de milho/aveia-preta. Assim, a compostagem,
alinhada aos principais elementos da Agroecologia, demonstra um potencial de
valorização sustentável desses dejetos para a produção de alimentos. Este trabalho,
portanto, teve como objetivo estimar as emissões de N₂O nas mesorregiões de SC
decorrentes da fertilização com dejetos líquidos de suínos em comparação ao uso
de dejetos compostados, sob uma perspectiva voltada ao controle das mudanças
climáticas. A metodologia se respaldou na consolidação de quatro cenários de
transição, variando do mais conservador ao mais otimista quanto à adoção da
compostagem. Inicialmente, calculou-se a capacidade de suporte do solo do
Nitrogênio presente nos dejetos, com base no limite crítico do Fósforo da Instrução
Normativa Nº11, e verificou-se que o solo do Oeste Catarinense apresenta saturação
em todos os cenários de projeção, chegando a exceder a quantidade máxima
permitida de Nitrogênio na área agricultável (milho/aveia-preta) em mais de 10 mil
toneladas no cenário mais crítico. A modelagem de emissões foi feita a partir do
número do plantel de suínos de cada mesorregião, bem como do tamanho da área
agricultável das culturas. Através dos fatores de emissão encontrados em Braço do
Norte e da quantidade de Nitrogênio excretado, foi possível verificar que a técnica de
compostagem é capaz de reduzir as emissões N₂O em até 65%, especialmente na
mesorregião mais expressiva, o Oeste Catarinense, reforçando que a transição para
um cenário mais sustentável é vantajosa e fortemente necessária. |
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