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Abstract:
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As interações tróficas desempenham papel fundamental no fluxo de energia dos recifes, onde os peixes atuam como importantes moduladores da comunidade bentônica, por meio da herbivoria e da predação. A intensidade desse forrageio pode ser influenciada por fatores como a composição do substrato, a profundidade e o hidrodinamismo, embora ainda sejam escassos os estudos que avaliam como essas variáveis afetam o comportamento alimentar. Neste estudo, investigamos a pressão alimentar exercida por peixes recifais sobre a comunidade bentônica na ilha de Santa Helena, a mais isolada ilha da Dorsal Mesoatlântica. Para isso, avaliamos a variação da pressão alimentar de peixes sobre o bentos em três locais com diferentes graus de hidrodinamismo e em dois biótopos de profundidades distintas (6–10 m e 12–16 m), por meio da análise de 43 vídeos remotos subaquáticos (RUVs) obtidos em plots de 2 m² e 10 minutos de duração. O herbívoro-detritívoro Acanthurus bahianus respondeu por 84% da pressão alimentar registrada, seguido por Mulloidichthys martinicus e Sparisoma strigatum. A pressão alimentar foi consistentemente maior no biótopo mais raso em todos os locais amostrados, enquanto o hidrodinamismo não apresentou efeito significativo. Ilhas oceânicas isoladas são conhecidas por apresentarem dominância de poucas espécies. Em Santa Helena, a dominância de A. bahianus nas interações é discutida no contexto da baixa representatividade de Melichthys niger na ilha. Esses resultados fornecem uma base quantitativa inédita sobre as interações tróficas bentônicas em Santa Helena, evidenciando que considerar a intensidade do forrageio, e não apenas a composição das assembleias de peixes, é determinante para compreender a dinâmica funcional de recifes remotos. |