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Abstract:
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Em decorrência do modelo agrícola baseado na produção de commodities em larga escala, o Brasil figura entre os maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Embora esses produtos desempenhem papel importante no controle de pragas, seu uso tem sido associado a impactos relevantes para a saúde humana e ambiental. O piriproxifeno (PPF), larvicida amplamente utilizado no controle de insetos-alvo e também como manejo do mosquito Aedes aegypti, tem demonstrado efeitos tóxicos em organismos não-alvo. Como ainda são escassos os estudos sobre seus efeitos na reprodução masculina humana, este trabalho busca investigar os possíveis impactos dessa exposição em camundongos machos, com o objetivo de estimar suas implicações para a saúde reprodutiva masculina em humanos. Para tanto, foram utilizados 30 camundongos machos da linhagem Swiss, distribuídos em três grupos experimentais (n = 10/grupo): grupo controle (veículo: solução salina 0,9% e DMSO) e dois grupos expostos ao PPF nas doses de 0,1 e 1 mg/kg, diluídas em veículo. A dose de 1 mg/kg foi escolhida por corresponder à dose máxima permitida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para ingestão diária, segundo a conversão de doses baseada na área de superfície corporal, enquanto que a dose de 0,1 mg/kg corresponde a um valor 10 vezes menor que o nível máximo permitido. O tratamento compreendeu o período do dia pós-natal (DPN) 23 até o DPN 80, quando os animais atingem a maturidade sexual. No DPN 70, os camundongos machos foram acasalados com fêmeas não-tratadas para avaliação do seu desempenho reprodutivo. Durante o tratamento, foram analisados a idade de instalação da puberdade, e o peso dos animais nesta idade, aferidos diariamente. No DPN 80, os animais foram eutanasiados para avaliação das massas dos órgãos reprodutores, qualidade espermática, dosagem hormonal, histopatologia dos testículos, assim como para o estagiamento do epitélio dos túbulos seminíferos. Neste estudo, o PPF atrasou a instalação da puberdade, reduziu a qualidade espermática, promoveu alterações histopatológicas testiculares e alterou a cinética da espermatogênese. Além disso, os impactos da exposição ao PPF estenderam-se ao desempenho reprodutivo dos animais, que foi demonstrado pelo aumento da taxa de perdas pós-implantação e da frequência de anomalias congênitas fetais. Assim, os desfechos deste estudo contribuem para uma melhor compreensão dos possíveis riscos reprodutivos associados à exposição crônica ao PPF e destacam a importância da realização de novas pesquisas que auxiliem na reavaliação de seus limites de segurança, especialmente durante períodos críticos do desenvolvimento pré e pós-natal. |